Um Relatório da ONU diz-nos que os planos nacionais de ação climática são inadequados para frear aumento da temperatura em 1,5ºC e metas do Acordo de Paris e o secretário-geral pede "supernova" de ambição na COP28, enfatizando a necessidade de medidas urgentes para evitar impactos climáticos.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que é hora de uma “supernova” de ambição climática em todos os países, cidades e setores.

“Progresso de polegada a polegada não será suficiente”, alertou António Guterres!

Apesar dos esforços de alguns países, o relatório mostra que é necessário muito mais ação agora para inclinar a trajetória de emissões do mundo ainda mais para baixo e evitar os piores impactos das mudanças climáticas.

O secretário-executivo da ONU sobre Mudanças Climáticas, Simon Stiell, alerta que o documento mostra que os governos estão dando passos tímidos para evitar a crise climática. 

Para ele, os governos precisam dar “passos audaciosos” na COP28 em Dubai, que deve ser “um ponto de virada claro”.

Simon Stiell adiciona que os governos não só devem concordar com ações climáticas mais fortes, mas também começar a mostrar exatamente como implementá-las.

Segundo Stiell, o relatório de Avaliação Global lançado pela ONU sobre Mudanças Climáticas este ano mostra claramente onde o progresso é muito lento. 

O secretário-executivo acredita que biliões de pessoas esperam ver seus governos pegarem essa caixa de ferramentas e colocá-la para funcionar

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU indica que as emissões de gases de efeito estufa precisam ser reduzidas em 43% até 2030, em comparação com os níveis de 2019. 

Essa medida é crucial para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius até o final deste século e evitar os piores impactos das mudanças climáticas, incluindo secas, ondas de calor e chuvas mais frequentes e severas.

Numa sua mensagem, António Guterres destaca que, de acordo com os planos nacionais atuais, as emissões globais de gases de efeito estufa estão programadas para aumentar 9% até 2030, em comparação com os níveis de 2010. 

Stiell adicionou que “cada fração de grau importa”, mas que os dados mostram que “estamos seriamente fora do curso” e acredita que a COP28 é o momento de mudar isso.

Para ele, “é hora de mostrar os benefícios massivos de ações climáticas mais audaciosas: mais empregos, salários mais altos, crescimento económico, oportunidade e estabilidade, menos poluição e melhor saúde.”

De acordo com as descobertas da análise do ano passado, o relatório mostra que, embora as emissões não estejam mais aumentando após 2030, em comparação com os níveis de 2019, elas ainda não estão demonstrando a tendência rápida de queda que a ciência diz ser necessária nesta década.

Se as contribuições nacionais mais recentes forem implementadas, os compromissos atuais aumentarão as emissões em cerca de 8,8%, em comparação com os níveis de 2010. 

Segundo a ONU, o total representa uma melhoria marginal em relação à avaliação do ano passado, que constatou que os países estavam a caminho de aumentar as emissões em 10,6% até 2030, em comparação com os níveis de 2010.

Até 2030, as emissões estão projetadas para serem 2% menores do que os níveis de 2019, destacando que o pico das emissões globais ocorrerá nesta década.

Para o presidente escolhido para liderar a COP28, Sultan Al Jaber, o estudo sobre os planos nacionais para o clima destaca a necessidade de “agir com maior ambição e urgência para atingir as metas do Acordo de Paris”,

Jaber acrescenta que “não há mais tempo para atrasos” e reforça que a COP28 “deve ser um ponto de viragem histórico” para ampliar o compromisso e a ambição em busca aos resultados que mantenham a meta de 1,5ºC ao alcance.

Nardia M.