Mais do que um festival, Soam as Guitarras afirma-se como um espaço de encontro entre diferentes linguagens musicais, estilos e gerações, tendo a guitarra como elo central. Esta edição comemorativa reforça esse propósito, reunindo nomes consagrados e novas abordagens contemporâneas.
A abertura do festival é marcada por um momento de forte simbolismo: uma homenagem a António Chainho, figura maior da guitarra portuguesa e embaixador do evento desde a sua criação. Com um percurso iniciado em Moçambique, onde deu os primeiros passos na rádio, nomeadamente na Rádio Nampula, Chainho construiu uma carreira sólida que atravessa décadas e geografias.
Ao longo do seu trajeto, integrou projetos marcantes, incluindo a formação de um conjunto que reuniu guitarristas como José Luís Nobre Costa, acompanhado por Raul Silva na viola e José Maria Nóbrega, numa fase que viria a impulsionar uma presença internacional da sua música.
No concerto de homenagem, o público será convidado a revisitar o legado de António Chainho através de um encontro entre músicos que o acompanharam ao longo dos anos, como Ciro Bertini e Tiago Oliveira, bem como convidados de referência como José Manuel Neto, Marta Pereira da Costa e Pedro Jóia.
No dia 10 de abril, sobe ao palco Tó Trips & Fake Latinos, num espetáculo que reflete o percurso singular do guitarrista e compositor, conhecido pela sua colaboração com Pedro Gonçalves no projeto Dead Combo (2003–2020) e pelo mais recente trabalho discográfico “Dissidente”, editado em 2025.
A 11 de abril, o festival prossegue com Silvestre Fonseca, um dos mais destacados guitarristas portugueses da atualidade, que apresenta um concerto em colaboração com o Coro Appassionato e o Ensemble Lusitano, numa fusão entre tradição e inovação.
Após a abertura em Oeiras, o festival continua ao longo de abril e maio com uma programação diversificada, incluindo nomes como Manel Cruz & Peixe, Diogo Piçarra, Tim & Pedro Jóia, Júlio Pereira, Pedro Caldeira Cabral, Manuel de Oliveira com Selma Uamusse, Expresso Transatlântico, bem como P.S. Lucas e Mazela, numa colaboração com o festival Guitarras ao Alto.
Dez anos depois, Soam as Guitarras reafirma-se como um dos mais relevantes encontros dedicados à guitarra em Portugal, celebrando não apenas a tradição, mas também a capacidade de reinvenção de um instrumento que continua a marcar a identidade cultural do país.