Na Sertã, o Presidente da República quis deixar uma "palavra esperança". "Tragédia não é mais forte que crença", garantiu..

Aos jornalistas, após ter trocado algumas palavas com autarcas e privados atingidos pelas tempestades do início do ano, o Chefe de Estado disse que estar no local para ver "os apoios que estão a chegar e a tardar".

"Esta minha Presidência Aberta tem este duplo sentido: o de verificar as coisas que estão ainda muito atrasadas e testemunhar as que estão a avançar e a reerguer. Eu venho aqui ouvir para depois falar. E, sobretudo, venho ver o que correu bem e o que correu mal, os apoios que estão a chegar, os apoios que estão a tardar", explicou, deixando uma "palavra de esperança" à população.

"Esta tragédia não é mais forte do que a nossa convicção, do que a nossa energia e do que a nossa crença neste país e nestes territórios", acentuou  e apelou  a "todos os portugueses, que na altura de marcarem as suas férias, que tenham em conta que um fim de semana ou uma semana nestas bonitas paisagens do Interior é uma ajuda, um estímulo e uma expressão de solidariedade por quem tanto sofreu há dois meses".

Nesta "primeira meia-hora" de visita, o Chefe de Estado "testemunhou um conjunto de pessoas que, de uma forma tão educada e tão correta, solicitaram intervenção para que a EN2 possa ser reaberta". "Eu tomei boa nota porque isso tem impacto não apenas na mobilidade como também na atividade económica da região, que é muito importante para fixar jovens nestes territórios", lembrou.

Sobre o Hotel da Montanha, localizado em Pedrógão Pequeno, Sertã, distrito de Castelo Branco, que visitou e que foi drasticamente afetado pelo "comboio de tempestades" que passou por Portugal no fim de janeiro, início de fevereiro, Seguro revelou que o empresário responsável disse que "felizmente tinha recursos próprios para começar a recuperação, que tem tido apoios a nível do layoff e da segurança social, já no banco do fomento este está a tardar em dar uma autorização para os apoios".

Perante isso, Seguro não tem uma visão "a preto e branco" das situações. "Como Presidente da República tenho de ter critério para as avaliar e analisar mas farei uma avaliação no final. São cinco dias de Presidência Aberta e quero que esta semana dê voz às pessoas que deixaram de ter voz porque, como repararam, enquanto a tragédia estava a dominar a agenda mediática estas pessoas tinham voz, depois de sair da agenda mediática, estas pessoas deixaram de ter voz", denunciou, lembrando que esta também é uma das funções do Chefe de Estado.

"Dar voz a quem precisa de ser ouvido, porque o país não pode ter memória curta perante uma dor tão grande e tão longa", sublinhou.

Questionado sobre se vai pedir 'contas' ao Governo, Seguro realçou que não consegue "prever" o que vai acontecer nestes cinco dias.

"A minha disponibilidade é para ouvir todas as vozes, todos os problemas que persistem e para testemunhar todas as coisas boas que estão a ser feitas no terreno", afirmou, lembrando que "o Presidente da República também tem a responsabilidade de cooperar com todos os órgãos de soberania para encontrar as melhores soluções".

O propósito desta Presidência Aberta é, segundo Seguro, "fazer acelerar apoios para que eles possam chegar o mais rapidamente possível e também estimular a recuperação e dar garantias às pessoas de que elas são ouvidas e de que os seus problemas são resolvidos".

Para o Presidente da República, é importante perceber "o que é que correu mal ou menos bem, o que é que tardou logo naquele apoio imediato". "É por isso que, para a semana, em Belém, promoverei uma reunião com especialistas, a partir dos relatos que vou levar desta Presidência Aberta, para se tirar ilações e prevenir situações futuras, onde o Estado possa dar uma resposta melhor e mais eficaz", concluiu.

A visita de Seguro à Sertã contou com a presença de autarcas, do secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, e do coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes.