São Tomé e PrÍncipe eleições em meio de uma crise

Na última segunda-feira 15.06? durante a reunião da comissão política do MLSTP, a tarde de quarta-feira, 17.06, foi de vez. 

«A Comunicação do camarada Jorge Lopes Bom Jesus à direcção do partido, da desistência da sua candidatura ao cargo de Presidente da República, colocando os superiores interesses da nação acima de quaisquer interesses pessoais ou circunstanciais, razão pela qual a comissão política saúda o elevado sentido de responsabilidade, maturidade política e espírito patriótico demonstrados por Jorge Bom Jesus, considerando que a sua decisão constitui um importante contributo para o fortalecimento da unidade do MLSTP e para a preservação de um clima político favorável à estabilidade e ao desenvolvimento de São Tomé e Príncipe», declaração da Comissão Política do MLSTP.

Ex-Presidente deste partido e primeiro-ministro de 2018 a 2022, Jorge Bom Jesus desiste da corrida presidencial, e declarou todo o seu apoio à recandidatura de Carlos Vila Nova como Presidente de São Tomé e Príncipe.

«A Comissão Política do MLSTP, comunica a todos os seus militantes, simpatizantes, amigos e ao público em geral no país e na diáspora de que, salvaguardando os superiores interesses da nação decidiu conceder apoio político à  candidatura independente do cidadão Carlos Vila Nova às eleições presidenciais de 19 de julho de 2026», segundo a vice-Presidente e porta-voz da comissão política, Conceição Moreno.

Trata-se de uma posição política de concertação e cooperação com o Presidente da República que segundo a direcção do partido vem sendo fortalecida desde o ano 2024.

Para o MLSTP esta parceria é considerada como sendo a salvação do país. «Para salvar o país, o MLSTP fez uma escolha com sentido de Estado», refere o comunicado lido pelo porta-voz.

Este   maior partido da oposição, apelou o povo de São Tomé e Príncipe « a apoiar e apostar massivamente na candidatura do engenheiro Carlos Vila Nova ao cargo de Presidente da República na eleição de 19 de julho, e o MLSTP nas eleições legislativas de setembro».

Num complexo contexto São Tomé e Príncipe enfrenta uma grave dupla crise em 2026 com uma severa crise energética e escassez de água que se arrasta há quase um ano, acompanhada de uma instabilidade política no parlamento que bloqueou a aprovação do Orçamento de Estado.

Falhas recorrentes e cortes diários na eletricidade afetam o país há cerca de um ano, originando também graves problemas de abastecimento de água potável.

O problema agravou-se com o envelhecimento dos geradores da Empresa de Água e Eletricidade (EMAE) e a saída da empresa turca Tesla STP, responsável pela gestão do setor.

O Parlamento tornou-se num "campo de batalha" devido a disputas e decisões contestadas envolvendo o ex-Primeiro-Ministro, Patrice Trovoada.

O debate sobre o Orçamento de Estado foi suspenso indefinidamente devido a querelas políticas, o que ameaça agravar o impacto económico nas famílias.