Uma história relatada  no jornal espanhol El País e no italiano La Repúbblica, como no diário bósnio Dnevni Avaz.

Não bastavam cerca entre 1992 e início de 1996 pelas milícias sérvio-bósnias ou  que, das colinas, os homens liderados por Radovan Karadzic e Ratko Mladic atirassem sobre quem passava nas ruas, sobre quem estava na fila para o pão.

Nessa atividade terrorista estima-se que "mais de 11 mil civis tenham sido assassinados…", lê-se no El País.

Agora tudo é mais macabro, pois a tese da investigação, enquadrada num suposto "crime de homicídio voluntário com agravante de crueldade e motivos abjetos", sugere que houve italianos - perto de uma centena poderão ter estado envolvidos - que pagaram para ir a Sarajevo aos fins de semana e poder disparar sobre as pessoas, como numa caçada.

Seriam ditos cidadãos comuns, "…de círculos de extrema-direita e apaixonados por armas, que contratavam este serviço como um safári humano na cidade sitiada". De acordo com a denúncia, "iam num voo de Trieste para Belgrado da companhia sérvia Aviogenex, que na época operava a partir do aeroporto italiano".

Aí agosm como snipers de fim de semana, pagando o "equivalente a entre 80 mil e 100 mil euros, de acordo com as primeiras hipóteses da investigação. Por atirar em crianças, pagavam "mais".

Jovica Stanisic, antigo responsável dos serviços secretos sérvios e condenado por crimes de guerra em Haia pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia, terá sido  um dos suspeitos de organizarem as viagens, a que chamavam caçadas, facilitando trajetos em tempos de guerra e ocultando a verdadeira natureza daquele turismo.

Stanisic apareceu perante os juízes do TPI pela primeira vez em 2003, começou a ser julgado em 2009, ano em que a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), segundo o Los Angeles Times, apresentou ao tribunal um documento sigiloso que atestava o papel do sérvio como "agente infiltrado, ajudando a trazer a paz à região".

Em junho de 2021, foi considerado culpado de homicídio, deportação, transferência forçada e perseguição, crimes contra a humanidade ocorridos em Bosanski Šamac em abril de 1992, e condenados a 12 anos de prisão, tornando-se a única condenação do Tribunal a um funcionário da Sérvia por crimes na Bósnia-Herzegovina.

O veredicto do recurso de maio de 2023 aumentou-lhe a pena para 15 anos.

Sobre a investigação agora aberta em Milão, conta anda o El País que a denúncia, documentada em "17 páginas, foi feita pelo escritor e jornalista Ezio Gavazzeni, apoiado pelo renomeado ex-juiz Guido Salvini e pela antiga autarca de Sarajevo de 2021 a 2024, Benjamina Karic, que tem recolhido informações sobre algo que tem sido alvo de rumores há anos e que se concretizou em 2023 em Sarajevo Safai, um documentário do esloveno Miran Zupanic", segundo o El País.

Para os tribunais sérvios, o assunto é "uma lenda metropolitana", isto é , mito urbano.