Foi fundador do jornal Movimento, e  deixa um legado marcado pelo rigor jornalístico, pela coragem política e pela construção de uma imprensa comprometida com a verdade e com o interesse público.

Raimundo Rodrigues Pereira iniciou sua carreira em veículos de grande prestígio, como a revista Realidade e o jornal O Estado de S. Paulo,

No entanto, foi na imprensa alternativa que consolidou seu papel histórico.

Durante a ditadura militar (1964-1985), quando a censura e a repressão limitavam drasticamente o jornalismo, Raimundo integrou uma geração que enfrentou o autoritarismo com informação, análise crítica e compromisso democrático.

Fundado em 1975, o jornal Movimento tornou-se um dos pilares da imprensa alternativa brasileira.

Sob sua liderança, o veículo assumiu papel decisivo na denúncia das arbitrariedades do regime e na construção de uma narrativa crítica em defesa da democracia.

Mais do que um jornal, Movimento foi também um espaço de articulação política e social, reunindo vozes silenciadas e contribuindo para a formação de uma consciência crítica no país.

O editor internacional do Brasil 247, José Reinaldo Carvalho, destacou a importância histórica de Raimundo:

“Raimundo Pereira foi um dos melhores jornalistas brasileiros”, afirmou. Segundo ele, o jornalista foi “pioneiro do jornalismo interpretativo e opinativo”, destacando-se pelo rigor e pela coerência.

Reinaldo também ressaltou o papel estratégico do jornal Movimento: “Mais do que um jornal, o MOVIMENTO foi um organizador coletivo”, disse, lembrando que o veículo ajudou a articular forças políticas e sociais contra a ditadura. 

Para ele, o jornal foi “um dos propulsores da ampla frente democrática” que se formou no país naquele período.

A atuação do Movimento viveu-se  sob intensa repressão com a censura prévia, cortes frequentes e dificuldades financeiras.

Em muitas edições, os espaços em branco denunciavam a violência do regime contra a liberdade de imprensa mas Raimundo manteve uma linha editorial firme, apostando no jornalismo como ferramenta de transformação social.

Raimundo criou depois o projeto Retratos do Brasil, voltado à interpretação profunda da realidade nacional, reunindo reportagens extensas e análises estruturais do país.

Para José Reinaldo Carvalho, tratava-se de uma obra ambiciosa, com “reportagens de fôlego, uma verdadeira enciclopédia sobre o Brasil”.

O jornalista Antônio Carlos Queiroz, o ACQ, também prestou uma bela homenagem ao mestre. "O Raimundo Rodrigues Pereira, mestre genial do jornalismo independente, democrático e popular, foi um daqueles lutadores imprescindíveis referidos pelo poeta Bertolt Brecht", escreveu.

"Por meio do jornal Opinião, trouxe de volta ao centro do debate público a questão nacional. Por meio do jornal Movimento, fincou as bandeiras do fim das leis de exceção da ditadura militar, da Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, e da convocação da Constituinte Livre e Soberana", prosseguiu.

"Radicalmente comprometido com a democratização republicana do País, e com a melhoria das condições de vida da população brasileira, o Raimundo foi também apaixonado pela divulgação das conquistas científicas. Ele dizia que o bom jornalista deve acompanhar os acontecimentos do seu bairro, de sua cidade, de seu Estado, do seu País, do planeta e também do Universo. O mundo, dizia, pode ser conhecido e o conhecimento é o caminho inevitável para que possamos mudá-lo", acrescentou.