Em maio passado, o Reino Unido e as Ilhas Maurícias anunciaram conjuntamente um acordo que devolveria a plena soberania de Chagos às Ilhas Maurícias, que ficam a cerca de 2.000 quilómetros (1.200 milhas) do arquipélago.
A Grã-Bretanha pagaria então pelo arrendamento de Diego Garcia a maior ilha e uma localização estratégica no meio do Oceano Índico, entre a Ásia e a África, onde se situa a base militar – por um período de 99 anos, para preservar as operações americanas no local.
Mas Trump opôs-se à medida, chamando-a de "um ato de grande estupidez" em janeiro.
“Diego Garcia é um ativo militar estratégico fundamental tanto para o Reino Unido quanto para os EUA. Garantir sua segurança operacional a longo prazo é e continuará sendo nossa prioridade – essa é a razão principal do acordo”, acrescentou o porta-voz do governo britânico em sua declaração.
“Continuamos em contato com os EUA e com as Ilhas Maurício.”
O comunicado acrescentou que o Reino Unido "continua a acreditar que o acordo é a melhor forma de proteger o futuro a longo prazo da base".
Após a oposição inicial de Trump, ele pareceu recuar depois de conversar com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, dizendo que Starmer havia feito o "melhor acordo possível", mas logo voltou “Ele está a cometer um grande erro”, escreveu Trump, acrescentando que ceder as Ilhas Chagos seria “uma mancha para o nosso grande aliado”.
Nas últimas seis semanas, as relações entre Trump e Starmer ficaram ainda mais tensas devido à guerra entre os EUA e Israel contra o Irã.
O Reino Unido lidera agora uma coligação de mais de 30 países para proteger embarcações no Estreito de Ormuz, sem participação dos EUA nas negociações iniciais.
O Reino Unido controla o arquipélago de Chagos desde 1814, inclusive após a independência das Ilhas Maurício na década de 1960.
A base de Diego Garcia desempenhou um papel fundamental nas operações militares dos EUA no Vietnam nk Iraque e no Afeganistão.
Os chagossianos – milhares dos quais foram expulsos à força para dar lugar à base – apresentaram pedidos de indenização aos tribunais britânicos, culminando numa recomendação do Tribunal Internacional de Justiça, em 2019, para que o arquipélago fosse devolvido às Maurícias.