A política nacional, seguida por clubes, comentadores desportivos, dirigentes passa por uma condenação abstrata do racismo e uma desculpabilização do racismo em todos os casos concretos denunciados.
As piedosas palavras de luta contra o racismo servem apenas para, literalmente, inglês (FIFA/UEFA) ver, são uma máscara para se integrarem na cena internacional e esconder a verdadeira face racista desta indústria e da maioria dos seus dirigentes no nosso país.
Em Portugal num desporto em que uma grande parte dos jogadores profissionais da divisão principal são Negros, não encontramos um treinador, um presidente de clube, um arbitro Negros. Se isto não é racismo o que é?
Declaro, para que não haja dúvidas, que sou adepto do Benfica desde a mais tenra idade e que na minha família todos o somos. Mas, obviamente, condeno veementemente os insultos que um jogador das águias proferiu recentemente contra um jogador Negro da equipa adversária.
Sei que o futebol é hoje um negócio e os jogadores ativos, com cotação e valor no mercado. Mas quando uma máquina produz bens defeituosos, quando um funcionário rouba, quando umas ações perdem valor, o bom gestor envia a máquina para a sucata, despede com justa caso o infrator e vende os títulos mobiliários.
E não é defendê-lo prejudicando ainda mais o clube, como fez o treinador e os dirigentes. O que se torna necessário é demonstrar publicamente que esse jogador não tem lugar na equipa, que não pode representar o clube e que este está disposto a um sacrifício financeiro a mantê-lo. A porta é o único caminho para tal pessoa indigna da camisola do Benfica.
Este caso abala o meu benfiquismo. Espero que o Presidente do clube possa voltar atrás na sua atual política e se erga à altura da situação e saiba punir exemplarmente o jogador racista.