Peça dos anos de 1920 que inventou palavra "robô" é retomada na Comuna 

Uma peça teatral escrita em 1920, que  "mantém uma surpreendente atualidade", ao fim de mais de um século, imagina “uma sociedade em que os trabalhadores humanos são substituídos por máquinas artificiais, levantando questões sobre tecnologia, exploração, inteligência artificial e limites da condição humana", explica o texto de apresentação da nova encenação, assinado por Marina Albuquerque.

"Entre distopia, sátira social e ficção científica, 'R.U.R.' antecipa debates contemporâneos sobre automação e desumanização tecnológica", acrescenta o texto.

A peça "R.U.R. - Rossumovi univerzální roboti", no original, teve estreia portuguesa em 1962, pelo Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), no âmbito do 1.º Festival Gulbenkian de Teatro, com o título "Manufatura Universal de Autómatos, SARL".

O CITAC iniciou a sua atividade em 1956 tendo desenvolvido uma atividade comprometida social e culturalmente no domínio do teatro, apesar das fortes restrições à criação cultural salazarenta e onde participou por exemplo Helder Costa!

Segundo a base de dados do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a peça seria retomada em 2010 pelo artista multidisciplinar Leonel Vieira, com os seus robôs, sob o título "RUR - o nascimento do robô".

"R.U.R. - Robots Universais Rossum", pelo Grupo de Teatro da Nova (GTN) fica em cena hoje e sexta-feira, a partir das 21h30, no Teatro da Comuna, em Lisboa.

A nova produção reúne um elenco composto por Gonçalo Vale, Inês Silva, Inês Sousa, Joana Garcia, Joana Henriques, José Parreira, Leonor Rocha, Mariana Carrilho, Margarida Noivo, Valentina Chavez e Vicente Gerner.

O espectáculo está integrado no trabalho desenvolvido pelo Grupo de Teatro da NOVA, estrutura ligada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que se define como "espaço de criação e experimentação artística no panorama universitário português".

"O jogo fatal do amor" e "Comédia de insetos" contam-se entre as peças de Karel Capek (1890-1938) já apresentadas em palcos portugueses.

Do autor, em Portugal, estão publicados títulos como Capa do artigo "A Fábrica do Absoluto" e "A Guerra das Salamandras", pela Antígona, "Dachenka ou a Vida de Um Cachorrinho", com a chancela Alfabeto.