Especialistas caracterizam o atual momento como uma guerra de atrito. Em vez de avanços rápidos e decisivos, o conflito transformou-se num embate prolongado, em que ambos os lados procuram desgastar os recursos militares, humanos e económicos do adversário.
Dados divulgados por fontes ocidentais e estimativas independentes apontam para centenas de milhares de baixas, entre mortos e feridos, em ambos os exércitos. As Nações Unidas confirmam igualmente milhares de civis mortos desde 2022, embora os números reais possam ser significativamente superiores, devido às dificuldades de verificação em zonas ocupadas ou intensamente bombardeadas.
O conflito teve ainda efeitos devastadores na infraestrutura ucraniana, incluindo centrais elétricas, redes de abastecimento e cidades inteiras, como Mariupol, que sofreu destruição massiva em 2022. A economia ucraniana contraiu-se fortemente no primeiro ano da guerra, embora tenha registado alguma recuperação parcial com apoio financeiro e militar dos Estados Unidos, União Europeia e outros aliados.
A guerra redefiniu o panorama de segurança europeu. A NATO reforçou a sua presença no flanco leste, enquanto países historicamente neutros, como a Finlândia, aderiram à Aliança Atlântica. A Suécia também avançou no processo de integração.
Ao mesmo tempo, a Rússia enfrentou sanções económicas sem precedentes impostas pelos Estados Unidos, União Europeia e parceiros internacionais. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia russa mostrou resiliência inicial, mas enfrenta pressões estruturais relacionadas com restrições comerciais, fuga de capital humano e reorientação forçada das exportações energéticas.
O conflito contribuiu ainda para instabilidade nos mercados energéticos e alimentares globais, especialmente em 2022 e 2023, dado o papel crucial da Rússia e da Ucrânia como exportadores de cereais e fertilizantes.
Apesar de várias tentativas diplomáticas, incluindo mediações iniciais em 2022 e contactos indiretos posteriores, as negociações de paz permanecem bloqueadas. Kiev insiste na recuperação integral do seu território internacionalmente reconhecido, incluindo a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. Moscovo, por sua vez, mantém a reivindicação sobre regiões anexadas após referendos não reconhecidos pela comunidade internacional.
Observadores internacionais consideram que qualquer solução exigirá compromissos políticos de grande magnitude, atualmente inviáveis no contexto militar e interno de ambos os países.
Quatro anos depois, o conflito transformou-se num dos mais prolongados e destrutivos confrontos militares na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A linha da frente pode ter estabilizado, mas a guerra permanece ativa, com ataques regulares, mobilizações contínuas e impacto humano profundo.
Para a Ucrânia, trata-se de uma luta pela soberania e integridade territorial. Para a Rússia, de uma aposta estratégica que redefiniu a sua relação com o Ocidente. Para a Europa e o mundo, é um conflito que continua a moldar alianças, economias e perceções de segurança.
O desfecho permanece incerto, mas o custo humano e político já entrou para a história contemporânea como um dos mais significativos do século XXI.