"Pode ter acontecido que os serviços lhe tenham prestado informações com falta de vigor; agora, se o primeiro-ministro teve o conhecimento de que efetivamente o concurso para as ambulâncias foi uma decisão do Conselho de Ministros de novembro de 2023 e estamos já em janeiro de 2026 e não teve a coragem de dizer ao Parlamento que não era uma decisão do seu Governo, então ele deve dar um pedido de desculpas", anunciou aos jornalistas nos corredores do Parlamento.
As declarações de José Luís Carneiro, vêm na sequência do Público ter noticiado que o processo de compra dos novos veículos de emergência médica anunciado na quinta-feira já leva mais de dois anos
E pior que as viaturas só deverão estar operacionais no verão.
José Luís Carneiro exigiu também uma "resposta" do primeiro-ministro quando à decisão de desviar técnicos de emergência médica das ambulâncias para os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).
"Tive conhecimento de que houve uma decisão, tomada há muito pouco tempo, de desviar técnicos de emergência médica, que conduzem as ambulâncias, para os CODUs, o que significa que não há técnicos para conduzir as ambulâncias", anunciou aos jornalistas nos corredores do Parlamento.
Na ótica do líder do PS, "o primeiro-ministro deve uma resposta para o país".
"Ele foi enganado por parte dos serviços? E se foi enganado, o que está a fazer ou o que vai fazer para assumir responsabilidades? Ou tinha conhecimento e decidiu omitir esta informação? E, se o fez, faltou à verdade ao Parlamento e isso é muito grave. Nos Estados Unidos dava um impeachment do Presidente, isto é inaceitável numa democracia qualificada", atirou.
JL Carneiro defende ainda que o "Governo responder sobre quando é que essas ambulâncias estão disponíveis para servir as populações".
"São 63 ambulâncias, 34 VMER e 78 outros veículos, o maior investimento do género na última década", informou.
Luís Montenegro anunciou também que na sexta-feira o Conselho de Ministros vai "aprovar as resoluções para o lançamento do concurso para a construção do novo Hospital do Algarve, uma obra estrutural que se junta a outras como o Hospital de Todos os Santos em Lisboa".
O primeiro-ministro enquadrou "todos estes investimentos" numa "reforma profunda do INEM que está em curso" para que haja "uma mais rápida resposta do serviço de emergência médica".