Ainda há quem duvide de que o PSD se transformou no verdadeiro MPLA português?

A aliança de conveniências entre o MPLA e o PSD — que há muito substituiu o PCP nas lógicas de influência — acelerou a todo o vapor com o ex-maoísta Durão Barroso, então ministro dos Negócios Estrangeiros do cavaquismo, em peregrinação quase constante a Luanda e ao emblemático Futungo de Belas, lado a lado com o célebre "Dono Disto Tudo".

Com o tempo e os negócios, os barões do PSD parecem ter adquirido o gosto pela cartilha do MPLA: o uso e abuso do Estado como extensão do partido, numa nostalgia preocupante dos tempos salazarentos.

Assim, se o PS Porto ataca e muito bem Luís Montenegro e avisa o primeiro-ministro que Portugal não é a Hungria, deveria lembrar sim o passado mplista do cavaquistao.

Desta feita houve  um pseudo/fake  conselho de ministros que o Governo convocou para o mercado do Bolhão, e que levou o PSD/Porto a enviar mensagens a militantes para “cumprimentar o presidente do partido em horários específicos”.

Em comunicado, o PS Porto lamenta que o Governo utilize o dinheiro público para campanha eleitoral, “violando a ética, a isenção e o respeito democrático”.

“O Governo PSD/CDS, atualmente em gestão, está a usar recursos públicos para sucessivas sessões de campanha eleitoral um pouco por todo o país. Hoje, num ato propagandístico chocante, pago por todos os portugueses, o Governo decidiu passear-se no Mercado do Bolhão, no Porto, apresentando um “balanço” que mais não é do que uma ação de campanha eleitoral”, denuncia o  PS/Porto

Os socialistas acusam os membros do PSD do Porto de terem enviado mensagens a apelar à presença de militantes para “cumprimentar o seu presidente em horários específicos” e notam ainda que o anúncio de Pedro Duarte como candidato à câmara do Porto não foi insuspeito.

“Piorando esta absoluta confusão entre Estado e partido, um Ministro do Governo decidiu aproveitar o cargo, o momento e os recursos, lançando-se como candidato à Câmara onde decorre o evento de campanha”, acrescentam.

O PS compara, por isso, o PSD ao primeiro-ministro da Hungria Viktor Orbán, já que o partido “não tem limites na utilização do aparelho do Estado para favorecer os seus interesses, lembrando as “democracias musculadas” com quem partilhou afinidades na Europa”.

“O PS jamais aceitará esta indecorosa usurpação de funções para benefício partidário e lembramos ao Dr. Luís Montenegro que ainda não chegámos à Hungria do Sr. Orbán”, concluem.