PS votará contra a revisão da legislação laboral na generalidade se a proposta que chegar Parlamento mantiver "as suas traves mestras, conforme resulta das palavras da ministra do Trabalho”

"No caso de a AD se associar ao Chega para uma aprovação na generalidade, o PS não se eximirá a apresentar as propostas de alteração com os mesmos propósitos com que a UGT obstou no processo até agora decorrido em sede de Concertação Social", referiu a mesma fonte à Lusa.

Esta posição do PS surge depois da reunião do líder do PS, José Luís Carneiro, com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e também depois  do Conselho de Ministros que aprovou esta quinta-feira a proposta de lei de revisão da legislação laboral, para a Assembleia da República,

"Se a proposta de lei mantiver as suas traves mestras, conforme resulta das palavras da ministra, o PS votará contra na generalidade", assegurou a fonte da direção socialista.

Entre estas medidas mais criticadas pelos socialistas estão a "porta aberta aos despedimentos sem justa causa", as dificuldades para compatibilizar a vida familiar com a profissional, a permissão do "outsourcing para contratar trabalhadores precários" e a "facilitação do trabalho informal e não declarado".

A proposta de lei do Governo aprovada esta quinta-feira em Conselho de Ministros contempla "mais de 50 alterações" ao anteprojeto inicial, das quais 12 provenientes da UGT, disse a ministra do Trabalho.

Na conferência de imprensa da reunião do Conselho de Ministros, Maria do Rosário Palma Ramalho comparou a posição do líder do PS sobre a revisão da lei laboral à do secretário-geral da UGT, que foi fazendo aproximações, mas "nunca quis assinar" um acordo.

Questionada sobre o  último texto da Concertação Social está a contrariar o apelo do secretário-geral do PS, a ministra defendeu que a versão hoje aprovada "é aquela que corresponde ao objetivo de reformismo deste Governo".

"Ouvi essas palavras do senhor secretário-geral do PS, que me pareceram muito próximas das palavras do secretário-geral da UGT. Na verdade, queria que ficasse lá tudo o que fomos aproximando, mas não quis nunca assinar", criticou, defendendo que "a negociação não é assim".

Esta manhã, ainda antes da reunião com o primeiro-ministro, o líder do PS sugeriu que será difícil um acordo sobre legislação laboral se o Governo insistir em manter "a insensibilidade e desumanidade" da reforma, referindo que "desde a primeira hora" os socialistas foram contra esta proposta.

José Luís Carneiro foi questionado pelos jornalistas se será difícil que os socialistas sejam parceiros do PSD e CDS-PP nesta reforma, Carneiro respondeu: "não é difícil" se o primeiro-ministro deixar "cair todos estes pilares fundamentais".

"Agora se o Governo insistir, se teimar, se for insensível, se continuar com esta insensibilidade, com esta desumanidade que trouxe para estas leis laborais... Veja, eu não estou a proteger-me a mim próprio, estou a proteger as pessoas, os meus semelhantes, que é o meu dever enquanto secretário-geral de um partido cujos fundamentos é precisamente os trabalhadores", avisou então.

Segundo a CGTP "O Governo aprovou hoje, em reunião de Conselho de Ministros, o pacote laboral que vai enviar para Assim no Parlamento, quer o PS quer  também o Livre e o BE exigiram esclarecimentos e documentos adicionais.

Para a CGTP, o Governo pretende "manter os aspetos negativos da atual legislação laboral e alterá-la para muito pior".

"Trata-se de piorar uma lei que já hoje é muito prejudicial para quem trabalha e, deste modo, perpetuar os baixos salários, impor a legalização dos despedimentos sem justa causa, generalizar e prolongar a precariedade, desregular e alongar, ainda mais, os horários de trabalho, atacar os direitos de maternidade e paternidade, destruir a contratação colectiva e os direitos nela consagrados, atacar a liberdade sindical e o direito de greve", acusou.

Segundo a central sindical, a proposta do Governo "não resolve os graves problemas que já hoje a lei tem" e pretende "promover uma legislação retrógrada dos tempos sombrios do passado".