“Nas nossas contas, se a inflação vier a alcançar [mais] 1,5 pontos, significa que o Estado vai encaixar mais 500 milhões de euros ao fim do ano, o que significa que isto é imoral, o Estado estar a ganhar dinheiro com o sacrifício dos portugueses", afirmou, aos jornalistas, no Mercado de Benfica, em Lisboa, José Luís Carneiro.

Fora ja distribuído pela assessoria do partido um documento em que o PS detalha que se a inflação chegar aos 3,6%, o Estado terá um aumento de 500 milhões de euros de receita de IVA.

"Se esse impacto for estendido a toda a carga fiscal, representa um aumento de receita de 1.668 milhões de euros num ano (0,52% do PIB)", acrescenta o partido no mesmo documento.

Aos  aos jornalistas, JL Carneiro lider do PS começou por referir que apresentou ao primeiro-ministro, há um mês, várias medidas de combate ao aumento custo de vida na sequência da guerra no Médio Oriente, que foram recusadas, e enfatizou que os socialistas insistirão nessas medidas na próxima sexta-feira, num debate na Assembleia da República.

Como prioritário para JLCarneiro é nesta altura a implementação do IVA Zero no cabaz de bens essenciais, ainda apoios para a redução do custo dos combustíveis, bem como da eletricidade e do gás, e criticou o que foi proposto pelo executivo para combater a subida dos preços.

"As medidas que o Governo adotou são medidas claramente insuficientes e o custo de vida está hoje a subir de forma exponencial e as famílias estão a ter graves problemas para encarar este encarecer do custo de vida", considerou.

Questionado sobre a oposição do ministro das Finanças à instituição do IVA Zero, Carneiro respondeu que o ministro "está errado".

Segundo o PS a isenção de IVA no cabaz alimentar, a redução temporária do IVA dos combustíveis e do gás de 23% para 13%, a isenção de ISP sobre gasóleo agrícola e um pacote de medidas a empresas de transporte de mercadorias e passageiros teriam um impacto orçamental líquido por trimestre de 0,15% do PIB.

O partido diz ainda que se as medidas forem mantidas até ao final do ano, o impacto líquido será de 0,4% do PIB e que o custo destas propostas "orresponde ao excedente orçamental, não previsto pelo Governo de 2025".