O líder socialista pediu ainda explicações ao Governo sobre o que está a fazer quanto ao aumento do crédito à habitação.

O secretário-geral do PS exigiu hoje  sábado, 30.05,  que o Governo de Luís Montenegro explique "o que está a fazer" para responder ao aumento do custo de vida e, especificamente, ao aumento das prestações do crédito à habitação.

Aos jornalistas, à margem de uma visita ao Festival da Cereja, em Resende, José Luís Carneiro afirmou que caiu um "balde de água fria sobre a cabeça de muitas famílias".

O líder do PS frisou que "vão aumentar os custos com os empréstimos à habitação", notando que "milhares de famílias jovens neste país [...] poderão ver acrescidos os custos entre 60 a 70 euros" por mês. 

"O que estamos a falar será das dificuldades imensas para responder a essas necessidades de vida e portanto o Governo tem de explicar ao país o que é que está a fazer", considerou o socialista.

Sobre a nova Prestação Social Única, o líder socialista afirmou  que, apesar de a ideia pertencer, originalmente ao PS, a forma como vai ser aplicada é bastante diferente.

"O doutor Passos Coelho falou a verdade", começou por dizer, referindo-se ao facto de o antigo primeiro-ministro ter dito que esta era uma medida socialista. "Essa é uma medida que foi adotada pelos governos do PS. Agora os termos em que ela vai ser aplicada... é ai que há divergências porque nós não podemos ver numa medida desta natureza [como] uma medida de correção de comportamentos individuais e de comportamentos sociais", considerou.

Questionado sobre a operação que visou o seu partido, José Luís Carneiro admitiu que as suspeitas "prejudicam a imagem" do PS. Contudo, recordou que, por proposta sua, foi aprovada a "criação de um código de ética com uma comissão que tem a responsabilidade de aplicar esse código de ética a todos os aqueles têm funções de responsabilidade no PS e também que são  eleitos em nome do partido socialista".

"Nós temos naturalmente [a noção] de que estamos na vida pública. Temos que ter atitudes, comportamentos transparentes e temos que ser os primeiros aliados da legalidade", asseverou.

O socialista admitiu ainda que o partido terá de "avaliar se foi ou não posto em causa o interesse do próprio PS enquanto instituição nacional", notando, contudo, que a investigação judicial ainda está em segredo de Justiça.

Recorde-se de que a Polícia Judiciária (PJ) lançou uma megaoperação que visou o PS na quinta-feira, culminando na detenção de quatro pessoas foram detidas por suspeitas de crimes económico-financeiros e uma quinta foi apanhada em flagrante por posse ilegal de arma.

Segundo uma nota do Ministério Público enviada às redações, estão em causa "procedimentos de ajuste direto ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público", entre 2016 e 2022. 

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, exigiu hoje "comportamentos irrepreensíveis" nos planos éticos, morais e legais a quem tem

"É um momento de tristeza para todos os militantes, é bom que todos tenham consciência que quando desempenham funções em nome do PS estão a representar uma massa humana de muitos milhares de pessoas, são quase 100 mil militantes e estão a representar muitos simpatizantes por todo o país", reagiu José Luís Carneiro, a propósito da operação 'Imergente' da Polícia Judiciária.