A literatura em língua portuguesa voltou a ocupar o centro do debate cultural lusófono com a atribuição do Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2025.

Numa edição marcada pela diversidade geográfica e pela riqueza de vozes, nove escritores oriundos dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foram distinguidos pelo seu contributo para a valorização da língua portuguesa enquanto instrumento de criação, reflexão e cidadania.

Entre os galardoados encontram-se nomes de referência como a portuguesa Inês Pedrosa, o brasileiro Paulo Coelho e a moçambicana Sónia Sultuane, cuja obra tem vindo a afirmar-se como uma das mais relevantes expressões contemporâneas da literatura africana em língua portuguesa.

Criado em 2017 e alargado à dimensão internacional da lusofonia em 2020, o prémio, sob curadoria de Avelina Ferraz e organizado pelo município de Freixo de Espada à Cinta, assume-se como uma iniciativa estratégica de promoção cultural. O seu objetivo central é reconhecer escritores que, através da língua portuguesa, contribuem para fortalecer os laços entre povos que partilham uma herança histórica e linguística comum.

A edição de 2025 distinguiu autores de todos os países da CPLP:

  • Portugal – Inês Pedrosa

  • Brasil – Paulo Coelho

  • Guiné-Bissau – Francisco Conduto de Pina

  • Cabo Verde – Fátima Bettencourt

  • Timor-Leste – Daniel Braga

  • São Tomé e Príncipe – Lúcio Neto Amado

  • Guiné Equatorial – Maria Jesús Evuna Andeme

  • Angola – José Mena Abrantes

  • Moçambique – Sónia Sultuane

Segundo a curadora do prémio, Avelina Ferraz, esta distinção representa “um elemento integrador fundamental”, ao promover o diálogo cultural e literário entre países que, apesar das suas diferenças, se reconhecem numa mesma língua.

No caso de Sónia Sultuane, o reconhecimento assenta numa obra que conjuga estética e intervenção social. O júri destacou a sua capacidade de explorar temas como a identidade africana, o corpo feminino, a espiritualidade e a memória coletiva, através de uma escrita simultaneamente sensível e afirmativa. Para além da produção literária, foi também valorizado o seu trabalho na promoção da leitura e da cultura em Moçambique, reforçando o papel do escritor enquanto agente ativo na transformação social.

O prémio evoca a figura de Abílio Guerra Junqueiro, um dos mais marcantes poetas portugueses, cuja obra, profundamente humanista e crítica, continua a ser estudada em vários países lusófonos. A sua escrita, marcada por um romantismo socialmente comprometido, mantém uma atualidade que atravessa gerações.

De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, Nuno Ferreira, esta iniciativa evidencia o compromisso contínuo com a cultura e com a valorização da língua portuguesa enquanto património comum e ativo estratégico no século XXI.

Mais do que um reconhecimento individual, o Prémio Guerra Junqueiro Lusofonia afirma-se como uma plataforma de construção de identidade coletiva. Num espaço que reúne mais de 260 milhões de falantes, a língua portuguesa assume-se como um vetor de desenvolvimento, diálogo e cooperação internacional.

Num mundo atravessado por tensões políticas, desigualdades e desafios globais complexos, a literatura continua a desempenhar um papel essencial. Ao dar voz às diferentes realidades que compõem a lusofonia, os escritores contribuem para uma compreensão mais profunda das sociedades, promovendo empatia, consciência crítica e sentido de pertença.

Nota do Editor

Num tempo em que o ruído mediático tende a simplificar realidades complexas, importa valorizar espaços onde a palavra escrita mantém a sua densidade e responsabilidade. O Prémio Guerra Junqueiro Lusofonia recorda-nos que a língua portuguesa não é apenas um legado histórico — é uma ferramenta viva de construção de futuro.

Ao reconhecer autores que escrevem a partir das suas identidades, das suas geografias e das suas memórias, este prémio reforça uma ideia essencial: a cultura não é periférica, é central. E é nela que se joga, muitas vezes, a possibilidade de sociedades mais conscientes, mais justas e mais humanas.

 

Fontes

  • Agência Lusa – Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2025

  • Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta

  • Fundação Fernando Leite Couto (Moçambique)

  • CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
    https://www.cplp.org

  • Instituto Camões – Língua Portuguesa
    https://www.instituto-camoes.pt

 

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