Olhem pessoal  basta de desrespeitar os presos, politicos ou nao!

Entre os ex presos politicos existe esta percepção clara da premencia em sermos anulados da Historia Oficial e desde o 25 de abril de 1974. 
Basta lermos o texto de hoje de JMTavares…  

A  razao para nao poucos de nós é bem simples - so sermos uma imensa minoria ( 3%  a 5.% da população se esquecermos os presos politicos nas ex-colonias, porque releva como o medo predominou na sociedade portuguesa durante os 48 anos de ditadura 41 de fascismo serodio mas brutal!

Na verdade quando combatiamos o fascismo estavamos a negar tambem a serôdia sociedade de bacoco moralismo representado pelas opçoes do Poder abaixo realçadas,

 

“No livro “Era Proibido” de António Costa Santos estão discriminadas duas dezenas de obrigações que, se não fossem cumpridas, poderiam acabar em cadeia para os cidadãos portugueses, tais como:

  • Enfermeiras e hospedeiras não poderem casar
  • Professoras primárias precisarem de autorização do Estado para casar e tinham de ter salário inferior ao do marido
  • Não se poder andar de bicicleta ou ter um isqueiro sem licença
  • Não se poder dar um beijo em público
  • As raparigas não poderem mostrar os joelhos, sendo as suas saias medidas à entrada da escola
  • Não se poder beber Coca-Cola
  • Não se poder divorciar
  • Não se poder jogar às cartas no comboio
  • Não se poder sacudir o pó
  • Uma mulher não poder andar sozinha na rua à noite
  • Não se poder reunir com mais de três pessoas
  • Não se poder pedir dinheiro na rua
  • Não se poder conduzir táxi ou entregar correio sem boné

Segundo o autor “o clima de proibição sistemática, abarcando tudo, mas tudo, dos mais inofensivos comportamentos aos mais subversivos panfletos, levou a que, com o tempo, nem fosse necessário produzir uma lei para proibir, por exemplo, a entrada de uma senhora de cabeça descoberta numa igreja”.”

A estes podemos acrescentar os cabelos compridos as calças à “boca de sino” ou “pata de elefante” etc…!

 

Para alem dos mais de 30 mil presos politicos do fascismo acrescentemos os mais de 50 mil presos de delito comum so de 1961 a 1974 e as dezenas de milhar nas ex colonias!

Vale recordar o país de miseria que era Portugal!

Recordemos algumas estorias (estas via Sic ),

A historia de Idalina Custódia, mãe de Fernanda Nunes, que foi presa com 30 e poucos anos, numa altura em que tinha quatro filhos e pouco dinheiro para cuidar deles.

“Lembro-me da minha mãe a lavar a roupa num tanque e chegar a polícia a cavalo a dizer que se tinha de entregar no posto Paio Pires, junto ao Seixal. Ela estava desolada, só perguntava o que tinha feito”, relembra Fernanda Nunes.

A filha recorda que Idalina tinha estado a escrever uma carta em cima de uma arca, sem luz, para enviar à sua mãe que se encontrava muito doente no Alentejo.

“A minha mãe estava a escrever com uma caneta onde se molhava a ponta na tinta e, a certa altura, a minha irmã mais nova passou por ela e entornou o tinteiro por cima da carta. A minha mãe não tinha possibilidade de comprar outra e limpou muito bem limpinha”, conta Fernanda.

Quando foi entregar a carta, Idalina Custódio explicou no posto o que tinha acontecido e não houve qualquer problema com o selo estar um pouco sujo. A mãe de Fernanda ficou descansada, como explica a filha, mas poucos dias depois teve de se entregar na polícia.

A carta suja fez com que fosse presa, deixando os seus quatro filhos desamparados. Por sorte, tinha um vizinho norte-americano abastado e com carinho pela sua família que, ao fim de 15 dias, a foi libertar juntamente com o filho mais velho.

….

A PIDE por exemplo podia  reprimir qualquer adversário ao regime - e um adversário poderia ser alguém que sacudisse o pó do seu tapete à janela.

Tendo isso em conta, tudo o que pusesse em causa “Deus, Pátria e Família”, aos olhos da polícia e do regime, era condenado e sancionado

Falemos ainda de leis que se dizia que eram para favorecer certas indústrias “amigas dos regime” como a dos fósforos.

Ercília Moreira Santos foi “vítima” desse favorecimento por acender um cigarro com isqueiro à sua irmã.

“A minha avó estava no Cinema Condes, que existia na Baixa, e estava com a irmã. A minha avó nunca fumou, mas tinha um isqueiro e a irmã dela, Aurora, pediu-lhe para acender o seu cigarro no intervalo do filme”, conta Francisco Pena, neto de Ercília.

A meio do cigarro, as duas irmãs ainda comentaram que dois homens vestidos de civis estavam a vigiar e que muito provavelmente eram polícias.

Já depois do filme, a andar para casa, os dois homens vão atrás das irmãs, segunda conta Francisco, interrompem o seu passo, não se identificam e questionam: “As senhoras não sabem que não se pode fazer lume?”.

“A minha avó respondeu ‘que parvoíce, claro que se pode’ e o homem responde que não se pode com um isqueiro. A minha avó, hoje em dia, não sabe se eram PIDE, mas os homens começaram a ficar mais exaltados e disseram que a minha avó tinha de pagar uma multa. Recusou-se e, por isso, os homens levaram as duas para a esquadra ao pé do Teatro Nacional”, explica o neto.

Na altura, era preciso uma licença para poder ter e utilizar isqueiros que, como já referido, seria motivo de encorajamento para comprar fósforos.

A caminho da esquadra, Ercília aproveitou o bolso do seu sobretudo para ir desfazendo e escondendo as peças do isqueiro com o qual tinha acendido o cigarro de Aurora.

Quando as duas irmãs chegaram à esquadra, interrogaram Ercília sobre o isqueiro que tinham visto junto ao Cinema Condes.

“A minha avó nega, enquanto eles pressionam para tirar o isqueiro do bolso. Nesse momento, a minha avó tira apenas o depósito de gás do isqueiro e não um isqueiro. O policia ficou bastante aborrecido, acabou por ser detida uma noite inteira por ter o isqueiro, mas não pagou multa. Depois o outro agente da esquadra libertou-as”, recorda Francisco Pena a história que a sua avó lhe contou e recontou muitas vezes.

Outro exemplo está datado em 1953 quando a CMLisboa que publicou a Portaria nº69035, que dizia respeito ao Policiamento de Logradouros e Zonas Florestais, com vista a aumentar a vigilância em zonas que consideravam “quentes”.

Nesse documento, a Câmara enunciava as multas de acordo com a gravidade do ato: se tivessem mão na mão seriam dois escudos e cinquenta centavos (0,01 cêntimos), se tivessem a mão “naquilo” seria 15 escudos (7 cêntimos), se tivessem “aquilo” na mão seriam 30 escudos (14 cêntimos), se tivessem “aquilo” “naquilo” seriam 50 escudos (24 cêntimos), “aquilo” atrás “daquilo” seriam 100 escudos (49 cêntimos) e a língua “naquilo” seriam 150 escudos (74 cêntimos), fotografados e presos.

Como referência do valor dos escudos na altura, uma entrada no Casino Estoril com consumo mínimo era 25 escudos, uma caneta Montblanc era 130 escudos e um rádio era 900 escudos.

E sim é neste bacoco e violento regime ( sim as cargas da policia de choque, ou os gorilas nas faculdades anos 70…) que de  1933 e 1974, o regime ditatorial

salazarento e posteriormente por Marcello Caetano, baseou-se numa repressão política intensa exercida pela polícia política (PVDE, PIDE e DGS) e pela generalidade das forças de segurança

Aqui estão os principais dados sobre os presos políticos nesse período:

  • Volume de Prisões (1933-1945): A Comissão do Livro Negro do Regime Fascista indicou que, entre 1933 e 1945, houve cerca de 17.000 presos, com uma média de 1.300 detidos por ano.
  • Período 1945-1960: A repressão tornou-se mais seletiva após a Segunda Guerra Mundial, com 6.097 presos políticos registados (381 por ano), embora outros registos da PIDE/DGS apontem para cerca de 12.000 presos neste período.
  • Total Estimado: Estima-se que a ditadura tenha feito cerca de 30 mil presos políticos ao longo dos seus 48 anos, segundo alguns estudos.
  • Locais de Prisão: Os opositores eram detidos em prisões como o Aljube, Peniche, Caxias, ou enviados para o campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde.
  • Madeira: Apenas na ilha da Madeira, foram contabilizados 1.854 madeirenses presos pela polícia política entre 1933 e 1974.
  • O Dia do 25 de Abril de 1974: No momento em que a revolução derrubou o regime, havia 128 presos políticos nos estabelecimentos prisionais.
  • ( o autor deste texto saira de Caxias a 15 de março de 1974 com 11 meses de pena suspensa a aguardar recurso graças a Salgado Zenha)

De todo este combate anticolonial e anti fascista resta um site Memorial 2019 ( https://www.memorial2019.org/ ), que compila biografias e dados sobre estes presos e se foi feita uma homenagem na AR aos advogados dos ex presos politicos, se existem n benesses aos ex combatentes da guerra colonial nada se fez para os ex combatentes contra a guerra colonial e contra o fascismo!

Para ser sincero nao há saco que dê para vos aturar!

Até porque basta de esconder que os tais 2000 presos pos 25 de abril uma boa parte eram pides sendo que em julho, 74 num comunicado, os SCE da PIDE/LP informavam que se encontravam presos mil ex-agentes da PIDE-DGS e que houve 2755 sentencas aplicadas a elementos da pide dgs face aos 3000 pides e 20 mil informadores…!

Houve claramente abusos que em nada favorecem os que combateram o fascismo e o colonialismo mas a verdade foi que houve tiros disparados pela houve os unicos mortos no 25 de abril feitos pela Pide sendo eles: “José James Harteley Barneto, escriturário, de 37 anos, casado, natural de Vendas Novas; Fernando Luís Barreiros dos Reis, de 24, natural de Lisboa, soldado da 1ª Companhia Disciplinar, em Penamacor; João Guilherme Rego Arruda, de 20 anos, estudante de Filosofia, natural de S. Miguel, Açores e Fernando Carvalho Gesteira, de 17 anos, empregado do comércio, natural de Vila Pouca de Aguiar.

A estes se juntaram 45 feridos, transformando a Rua António Maria Cardoso num cenário de guerra urbana que tinha sido evitada nos outros palcos da revolução.