Num contexto global marcado pelo declínio alarmante destes organismos, o Governo português aprovou recentemente um plano nacional para a conservação e sustentabilidade dos insetos polinizadores, financiado pelo Fundo Ambiental. A iniciativa surge como resposta a uma evidência científica clara: sem polinizadores, não há biodiversidade funcional, nem segurança alimentar.
Segundo o Ministério do Ambiente e Energia, o território nacional apresenta uma elevada densidade e diversidade de polinizadores, incluindo 746 espécies de abelhas, 148 espécies de borboletas diurnas, mais de 2.600 espécies de borboletas noturnas e 221 espécies de sirfídeos, também conhecidos como moscas-das-flores.
Em Portugal, culturas como a amendoeira, a macieira ou diversas hortícolas dependem diretamente da ação das abelhas e de outros polinizadores. Para além disso, estes organismos desempenham um papel crucial na regeneração natural das florestas, contribuindo para a resiliência dos territórios face às alterações climáticas e aos incêndios.
João Casaca, da Federação Nacional de Apicultores de Portugal, sublinha a importância do plano agora aprovado, classificando-o como uma mais-valia para o setor. No entanto, deixa um alerta implícito: mais do que aprovar estratégias, é fundamental garantir a sua implementação efetiva no terreno.
O fenómeno conhecido como “colony collapse disorder” — o desaparecimento súbito de colónias de abelhas — tornou-se um símbolo global desta crise ecológica.
De acordo com relatórios da Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services, cerca de um milhão de espécies estão atualmente em risco de extinção, muitas delas essenciais para o funcionamento dos ecossistemas.
A perda de polinizadores não é apenas uma questão ambiental. É uma ameaça direta à produção alimentar, à estabilidade económica e, em última análise, à sobrevivência humana.
O plano aprovado pelo Governo português representa um passo relevante, mas não suficiente por si só. A proteção dos polinizadores exige uma abordagem integrada, envolvendo agricultores, decisores políticos, cientistas e cidadãos.
Promover práticas agrícolas sustentáveis, reduzir o uso de pesticidas, preservar habitats naturais e sensibilizar a sociedade são ações fundamentais para inverter a tendência atual.
Como recordava o biólogo Edward O. Wilson, “a biodiversidade é a infraestrutura invisível que sustenta a civilização”. Ignorá-la é comprometer o futuro.
Num tempo em que os grandes desafios globais exigem respostas coletivas, a defesa dos polinizadores é também um ato de responsabilidade intergeracional.