O Congresso de Hotelaria e Turismo está  no Porto 21 anos depois de uma sua primeira edição em território portuense e numa altura em que o Porto quer ser o farol de segmentos como o Turismo Corporativo de eventos.

Esse é alias o projeto  do vereador do turismo, Bruno Beirão Rodrigues, que substituiu o autarca, Pedro Duarte, na representação da autarquia nesta iniciativa.

Mesmo com as tempestades a atravessar o país e a dificultar a logística os 40 oradores (30% mulheres) e cerca de 500 participantes marcaram presença num congresso que não passou ao lado do estado de calamidade.

No discurso de abertura, o próprio secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, natural da região Centro, fez saber que entende o drama da população, uma vez que parte dos seus bens familiares também seriam afetados com a rotura do dique na margem direita do Mondego, na zona de Coimbra.

No enquadramento do programa do Congresso, Cristina Siza Vieira, vice-presidente da Comissão Executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), falou da evolução da hospitalidade ao longo da história: "viajar é uma necessidade desde os primórdios da humanidade",.

Nos tempos que correm, "nada melhor do que olhar de frente para a realidade e aprimorar a relação entre quem acolhe e quem é acolhido" para responder a necessidades.

Com o carnaval "dentro de água", os receios de Francisco Calheiros, presidente da Confederação de Turismo, são os eventuais cancelamentos de reservas na Páscoa, tal como fez saber nas declarações à TSF.

Várias empresas participaram numa mostra de produtos, numa das salas de despachantes, do edifício da Alfândega do Porto.

A realidade que assola o país é mais um desafio para o Executivo, que levam Pedro Machado a garantir que "o Governo está a fazer tudo o pode para responder às solicitações com celeridade possível para o regresso à normalidade", num significativo atraso…

O secretário de Estado do Turismo deixou ainda a promessa de colocar no topo da sua agenda a "revisitação da lei do arrendamento que está a impactar a atividade turística" e fez saber que, entre as suas prioridades, também está o reforço de laços com países de expressão portuguesatendo falado da visita que fez a Angola, a propósito da abertura de uma escola-hotel em Cabinda ( onde está sediada uma das ultimas guerrilhas independentistas de Africa), e falou de outras alianças, saídas dos acordos de Bruxelas, com destinos como a Índia ou o Mercossul, depositando expectativas na elaboração do 1.º orçamento europeu dedicado ao turismo, setor que nas ultimas eleições europeias ganhou um comissário com pasta própria.

Em 2025, o país recebeu mais de 29 mil milhões de receitas e espera crescer mais 12% no número de visitantes estrangeiros em 2026, motivo que levou a Confederação do Turismo e a AHP a insistirem no apelo ao Governo para encontrar uma solução intermédia,

ao aeroporto em Alcochete, para acolher turistas estrangeiros, depois dos sucessivos constrangimentos verificados no aeroporto de Lisboa, que temem que se estenda também ao aeroporto do Porto.

Já o presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte fez saber que, além dos recordes locais na atividade registados no último ano, potencial não falta à região que aguarda a ligação do TGV para levar mais investimento e turistas a outras zonas do território, como Trás-os-Montes.

Nao entrndendo os limites do crescimento o setor ainda quer  ter  mais 133 empreendimentos nos próximos três anos e alcaçar até 2028 as 13.324 unidades de alojamento.

Entretanto o  grupo hoteleiro Vila Galé, o único grupo português que tem quatro empreendimentos sob gestão em Cuba e já a sentir efeitos do bloqueio dos Estados Unidos ao fornecimento de combustíveis à pequena ilha das Caraíbas.

Nesta altura, estao  fechados os hoteis de Havana com capacidade para 60 pessoas e a unidade de Varadero, com capacidade para 600 hóspedes. Mantém abertas as outras duas unidades hoteleiras de Cayo Paredón, mas Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador, diz que a qualquer momento a situação pode inverter e que, por enquanto, tem indicação de que mantém a operação de verão com turistas portugueses, prevista para arrancar em Maio.

Questionado pela TSF sobre como acompanha o Governo a situação de transferência de turistas em Cuba, o MNE respondeu que segue o episódio com preocupação, em articulação com o Ministério da Economia, que tutela a secretaria de estado do Turismo.

A incerteza geopolítica internacional também preocupa Francisco Calheiros, que considera que a guerra da Ucrania dura há demasiado tempo e não traz segurança, nem previsibilidade.

"O ano de 2026 vai ser difícil", disse em palco a professora e investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) da Universidade Nova de Lisboa Raquel Vaz Pinto, para quem a prioridade dos portugueses deverá passar pelo combate ao fatalismo, pelos valores que tem, mesmo no turismo.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, foi convidado a falar do valor diplomático do turismo e deu uma autêntica lição de 60 minutos, puxando pelos "Castelos", o primeiro poema da "Mensagem" de Fernando Pessoa, pela luz que trouxe à geopolítica portuguesa e até o recitou.