Foram oito imóveis em Lisboa deixados vazios após a concentração do Governo num só espaço, já vendidos ou que irão a leilão ainda este ano, e que poderiam criar  cerca de 450 casas públicas.

À  Lusa, o vice-presidente da bancada socialista Luís Testa afirmou que esta notícia apenas comprovou algo que a sua bancada já suspeitava.

"O Estado anda a comportar-se como um agente imobiliário invertido, anda a comprar imóveis por preços mais altos do que aqueles que vende. Vende barato e compra muito caro", criticou.

O deputado questionou como é que "o Estado aliena património seu que poderia ser convertido em habitação a preços acessíveis", abaixo do preço de mercado, e, ao mesmo tempo, "compra para a mesma finalidade a preços muito elevados".

Luis Testa denunciou  que há dois prejuízos para o Estado: por um lado, a perda de receita na sua relação com o mercado e, por outro, a perda de oportunidade de fazer, com imóveis públicos, uma política de habitação.

Para explicar o que classifica como "comportamento desnorteado" e "política errática" do Governo, o PS vai pedir, já na próxima semana, a audição parlamentar do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, e do presidente da Estamo, a empresa pública portuguesa responsável pela gestão, valorização, arrendamento e venda do património imobiliário do Estado.

"Não conseguimos compreender o verdadeiro objetivo da política de habitação do Governo e esta fraude a ser feita aos cofres do Estado", justificou o deputado.

Em abril, o PS deu entrada no parlamento de um projeto-lei que estabelece um regime de proteção do património imobiliário público com aptidão habitacional, que visa garantir a sua não alienação quando localizado em áreas com carências habitacionais ou elevada pressão urbanística.

O diploma está atualmente, segundo Luís Testa, numa fase de recolha de contributos.

Daí a urgencia em despachar “a amigos” patrimonio que é nosso?