Numa  reunião pública do executivo municipal, a vereadora única do BE, Carolina Serrão, questionou a governação PSD/CDS-PP/IL sobre o envolvimento de um chefe da Polícia de Segurança Pública (PSP), que estava em comissão de serviço na Polícia Municipal de Lisboa, na liderança  do grupo fascio salazarento MAL.

E  "mais grave ainda", segundo notícias recentes, é que essa pessoa acedeu a dados pessoais do primeiro-ministro, Luís Montenegro (PSD), bem como de pessoas da autarquia, como o presidente da câmara, Carlos Moedas (PSD).

"Estamos perante uma falha grave nos sistemas de segurança de proteção de dados. Queremos saber se o executivo tinha conhecimento desta situação, que averiguações internas é que foram feitas e que medidas estão a ser tomadas para apurar responsabilidades e garantir que situações destas não vão voltar a acontecer", perguntou a bloquista.

O agente e chefe da PSP Bruno Gonçalves era o líder (cabecilha) do Movimento Armilar Lusitano (MAL), um grupo fascio salazarento e de extrema-direita.

A investigação apurou que ele geria o núcleo duro da organização, realizava o recrutamento, fazia as entrevistas aos candidatos e foi formalmente acusado pelo Ministério Público de crimes de terrorismo estando em prisao preventiva

Em resposta, Carlos Moedas disse que, "obviamente, não tinha qualquer informação sobre isso" e que não foi informado de nada sobre esse assunto.

"Realmente é lamentável os cidadãos afetados não serem informados, qualquer que seja o cidadão", reclamou o autarca do PSD, sem responder às questões do BE sobre que medidas foram tomadas pelo município.

Do PCP, João Ferreira criticou a ausência de uma intervenção por parte do responsável máximo da Polícia Municipal quanto a este assunto.

Por proposta do BE, aprovada com a abstenção do Chega e os votos a favor dos restantes, o executivo deliberou "manifestar profunda preocupação pela existência de uma organização extremista que identificou titulares de cargos públicos e representantes autárquicos como alvos de potenciais ações violentas".

Aprovou ainda "condenar firmemente todas as formas de ideologia neonazi, racista, xenófoba e antidemocrática", bem como quaisquer tentativas de intimidação ou violência dirigidas contra eleitos, ativistas, cidadãos, partidos políticos ou organizações da sociedade civil; sublinhar a gravidade da presença de elementos ligados a forças ou serviços públicos, em organizações neonazis, defendendo o apuramento rigoroso de responsabilidades; e reafirmar o compromisso do município de Lisboa com a defesa da democracia, dos direitos fundamentais, da igualdade e da não discriminação.