"Estou convencido de que todos aqueles que representam os trabalhadores não podem estar de acordo, não podem pôr uma assinatura em medidas e leis que na prática se traduzam no retrocesso da vida dos trabalhadores. Não quero crer que isso vá acontecer", afirmou Paulo Raimundo.
O líder comunista, que falava aos jornalistas respondia a perguntas sobre a reunião desta quinta-feira do secretariado nacional da UGT para decidir sobre um eventual acordo em sede de Concertação Social sobre o pacote laboral.
Paulo Raimundo disse que a "UGT tomará as decisões que entender", mas defendeu que, independentemente do que for decidido, "os trabalhadores, em particular os mais jovens e as mulheres que são aqueles que são os principais alvos deste pacote liberal, já o rejeitaram e não vão aceitar nem permitir mais ataques aos seus direitos".
Raimundo argumentou que, depois da greve geral e de várias manifestações já realizadas - a par de uma outra que está agendada para o dia 17, convocada pela CGTP -, ficou clara a rejeição dos trabalhadores em relação a este pacote laboral, sublinhando que "o que determina e aquilo que vai decidir é a voz dos trabalhadores".
"Cada um tomará as suas decisões, não pode deixar de ter em conta esta realidade objetiva", acrescentou.
A proposta do Governo não altera o que está mal na atual legislação e "acrescenta ainda coisas piores" como "mais precariedade, mais desregulação, mais ataques aos salários e mais ataques aos direitos".
"Isto é o que está em cima da mesa e não vale a pena o Governo fazer a manobra de querer comparar este texto de hoje com o texto inicial. Nós temos que comparar o texto de hoje com a atual lei, que é isso que vai estar em causa", enfatizou.
Questionado sobre o facto de o Presidente da República, António José Seguro, ter desejado disponibilidade para o diálogo em torno da legislação laboral, Paulo Raimundo afirmou que o Chefe de Estado, enquanto candidato, "fez um conjunto de afirmações que falam por si", nomeadamente ao criticar a "oportunidade deste pacote laboral" e ao alertar para um retrocesso nos direitos.
Raimundo disse ainda estar convencido de que "é possível evitar que o Presidente seja confrontado com um pacote laboral que não serve".
Mas ha ainda a memoria a preservar na UGT dirigentes sindicais socialistas que puseram na frente dos seus combates os Direitos dos Trabalhadores e numca pacotes laborais de retrocesso social