Ainda assim, o  secretário-geral do PCP afirmou esta quinta-feira 09.04 não acreditar que a UGT decida dar "luz verde" à proposta de alterações à legislação laboral em sede de Concertação Social.

E mais  que, mesmo que isso aconteça, os trabalhadores já rejeitaram estas mudanças.

"Estou convencido de que todos aqueles que representam os trabalhadores não podem estar de acordo, não podem pôr uma assinatura em medidas e leis que na prática se traduzam no retrocesso da vida dos trabalhadores. Não quero crer que isso vá acontecer", afirmou Paulo Raimundo.

O líder comunista, que falava aos jornalistas respondia a perguntas sobre a reunião desta quinta-feira do secretariado nacional da UGT para decidir sobre um eventual acordo em sede de Concertação Social sobre o pacote laboral.

Paulo Raimundo disse que a "UGT tomará as decisões que entender", mas defendeu que, independentemente do que for decidido, "os trabalhadores, em particular os mais jovens e as mulheres que são aqueles que são os principais alvos deste pacote liberal, já o rejeitaram e não vão aceitar nem permitir mais ataques aos seus direitos".

Raimundo argumentou que, depois da greve geral e de várias manifestações já realizadas - a par de uma outra que está agendada para o dia 17, convocada pela CGTP -, ficou clara a rejeição dos trabalhadores em relação a este pacote laboral, sublinhando que "o que determina e aquilo que vai decidir é a voz dos trabalhadores".

"Cada um tomará as suas decisões, não pode deixar de ter em conta esta realidade objetiva", acrescentou.

A proposta do Governo não altera o que está mal na atual legislação e "acrescenta ainda coisas piores" como "mais precariedade, mais desregulação, mais ataques aos salários e mais ataques aos direitos".

"Isto é o que está em cima da mesa e não vale a pena o Governo fazer a manobra de querer comparar este texto de hoje com o texto inicial. Nós temos que comparar o texto de hoje com a atual lei, que é isso que vai estar em causa", enfatizou.

Questionado sobre o facto de o Presidente da República, António José Seguro, ter desejado disponibilidade para o diálogo em torno da legislação laboral, Paulo Raimundo afirmou que o Chefe de Estado, enquanto candidato, "fez um conjunto de afirmações que falam por si", nomeadamente ao criticar a "oportunidade deste pacote laboral" e ao alertar para um retrocesso nos direitos.

Raimundo disse ainda estar convencido de que "é possível evitar que o Presidente seja confrontado com um pacote laboral que não serve".

Mas ha ainda a memoria a preservar na UGT dirigentes sindicais socialistas que puseram na frente dos seus combates os Direitos dos Trabalhadores e numca pacotes laborais de retrocesso social