É neste contexto que ganha particular significado a convergência alcançada por todo o movimento sindical na rejeição deste pacote laboral. Perante a gravidade das propostas apresentadas, tornou-se evidente que aquilo que está em causa ultrapassa diferenças legítimas de perspetiva e exige uma resposta comum em defesa dos direitos, das liberdades e das garantias de quem trabalha.
O pacote laboral representa uma das mais profundas alterações regressivas da legislação laboral das últimas décadas. Sob o discurso da modernização e da adaptação às transformações económicas, procura-se consolidar um modelo de relações laborais mais desequilibrado, mais precário e mais favorável aos interesses patronais.
Ao mesmo tempo que pretende aumentar a exploração, o Governo nada apresenta que responda aos verdadeiros desafios do mundo do trabalho contemporâneo. Não há nenhuma resposta para a regulação da inteligência artificial e da gestão algorítmica, para os impactos das alterações climáticas nas condições de trabalho, para a proteção dos trabalhadores das plataformas digitais, para a valorização do trabalho por turnos, para o combate à precariedade ou para a integração dos trabalhadores migrantes.
Não aceitamos este caminho.
Não aceitamos que a competitividade seja construída à custa da precariedade, que a modernização sirva de pretexto para restringir direitos fundamentais e princípios constitucionais.
Por isso, apelamos a todos os trabalhadores e trabalhadoras, às organizações sindicais de todas as tendências, filiadas ou não em centrais, às comissões de trabalhadores, aos movimentos sociais, e a todos os cidadãos comprometidos com a justiça social para que reforcem esta ampla convergência em defesa dos direitos laborais.
Apelamos aos deputados da Assembleia da República para que rejeitem claramente este pacote laboral e assumam a responsabilidade de defender os direitos de quem trabalha e os princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa.
No próximo dia 18 de junho, data da discussão parlamentar destas propostas, estaremos concentrados em frente à Assembleia da República para afirmar, de forma clara e determinada, que os trabalhadores não aceitam este retrocesso.
A concentração de 18 de junho deve constituir um momento da mais ampla convergência de todos os que defendem o trabalho com direitos como dimensão fundamental da democracia
Alberto Matos- Dirigente da Solidariedade Imigrante ( SOLIM)
Almerinda Bento - MAG do SPGL
Andreia Martins - Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social
Alexandrina Carneiro - Sindicato dos trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social
António Gomes - Operário Ferroviário Reformado, Ex-CN/CGTP-IN
Cátia Domingues - Dirigente do SPGL
Célia Rodrigues - dirigente do STSS
Céu Fazenda - Professora ExCN da CGTP-IN
Francisco Alves - ativista laboral; ex CN/CGTP
Guadalupe Simões - Dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses
Joaquim Espírito Santo - Coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social
Paula Sousa - Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social
Pedro Faria - Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social
Tânia Russo - Sindicato dos Médicos da Zona Sul, Conselho Nacional da FNAM