O julgamento civil começou em junho de 2021 no Tribunal Federal de Sydney.
Em junho de 2023, o juiz Anthony Besanko rejeitou o caso de difamação de Roberts-Smith contra as três publicações, determinando que estava provado, com base no equilíbrio de probabilidades, que Roberts-Smith assassinou três afegãos e violou criminalmente as regras de engajamento militar
A polícia informou que este ex-membro das Forças de Defesa Australianas, de 47 anos, foi preso no Aeroporto de Sydney.
Os registros judiciais identificaram o homem como Ben Roberts-Smith acusado de cinco crimes de guerra relacionados ao assassinato de cinco pessoas no Afeganistão entre 2009 e 2012, informou a Polícia Federal Australiana sendo a pena máxima prevista para cada acusação é prisão perpétua.
"Será alegado que as vítimas não estavam participando de hostilidades no momento de seu suposto assassinato no Afeganistão", disse a comissária da AFP, Krissy Barrett, em uma conferencia de imprensa.
"Será alegado que as vítimas estavam detidas, desarmadas e sob o controle de membros da ADF quando foram mortas” e que as vítimas foram baleadas pelo acusado ou por subordinados agindo sob suas ordens e em sua presença, disse ela.
A AFP informou que o pedido de fiança foi negado e que ele comparecerá ao tribunal para uma audiência de fiança na quarta-feira.
Roberts-Smith foi aclamado como um herói nacional após receber diversas condecorações militares de alta patente, incluindo a Cruz Vitória, por suas ações durante seis missões no Afeganistão, de 2006 a 2012.
Ele tem negado as alegações de irregularidades durante seu período de serviço, algumas das quais foram relatadas pela primeira vez pelos jornais da Nine Entertainment em uma série de artigos a partir de 2018.
Entre as acusações relatadas, constava que Roberts-Smith teria assassinado a tiros um adolescente afegão desarmado e pontapeado um homem algemado de um penhasco antes de ordenar que ele fosse morto a tiros.
Roberts-Smith, ex-membro do Regimento de Serviço Aéreo Especial da Austrália (SAS), contestou sem sucesso as reportagens no que se tornou o julgamento por difamação mais caro da Austrália.
Em 2023, um juiz do Tribunal Federal decidiu que os jornais comprovaram quatro das seis acusações de assassinato apresentadas.
Um último recurso foi rejeitado pelo Supremo Tribunal em setembro de 2025.
Um relatório de 2020 encontrou evidências credíveis de que membros do SAS mataram dezenas de prisioneiros desarmados durante a longa guerra no Afeganistão.
Uma investigação sobre o soldado do SAS, conduzida pela polícia federal e pelo Gabinete do Investigador Especial, criado para apurar alegações de crimes de guerra cometidos por membros das Forças de Defesa da Austrália (ADF) no Afeganistão, foi aberta em 2021.
Ross Barnett, diretor de investigações do OSI, afirmou que o processo foi complexo e demorado porque as autoridades não puderam ir ao Afeganistão para ver os supostos locais do crime.
"Não temos acesso aos locais do crime, não temos fotografias, plantas do local, medições, recuperação de projéteis, análise de respingos de sangue, todas essas coisas que normalmente obteríamos em uma cena de crime", disse ele na conferência de imprensa.
A investigação conjunta do OSI e da AFP realizou 53 investigações envolvendo alegações de crimes de guerra cometidos por membros das Forças de Defesa do Afeganistão (ADF), sendo que 10 delas ainda estão em andamento.
Outro ex-soldado das forças especiais deverá ser julgado por homicídio qualificado em fevereiro do próximo ano, segundo o OSI.
"Se as provas levarem à necessidade de acusar outras pessoas, podem ter certeza de que isso acontecerá", acrescentou Barnett.
A Amnistia Internacional afirmou que a prisão de Roberts-Smith foi um "passo crucial rumo à justiça global e aos esforços de responsabilização".
"As autoridades australianas devem agora garantir que todas as alegações credíveis sejam totalmente investigadas e, quando apropriado, processadas", disse Zaki Haidari, coordenador de campanhas estratégicas da Amnistia Internacional Austrália.
Imagens da polícia mostraram agentes escoltando Roberts-Smith para fora de um voo assim que ela chegou ao Aeroporto de Sydney, até uma viatura policial que a aguardava na pista.