Em reflexões compartilhadas com o Serviço Mundial de Notícias Bahá'í após a conferência, Daniel Perell, representante do Escritório da CIB em Nova York, observou que muitos dos debates polarizados estão gradualmente se voltando para questões mais complexas sobre como a humanidade pode agir em conjunto.
O Sr. Perell, juntamente com outros sete delegados do BIC da Austrália, Brasil, Reino Unido e Estados Unidos, participou de uma série de discussões na conferência, bem como em eventos paralelos em Belém.
Uma das características marcantes da conferência foi o Balanço Ético Global (GES, na sigla em inglês), uma nova iniciativa da Presidência da COP30 que convidou indivíduos e instituições de todo o mundo a refletirem sobre as dimensões éticas das mudanças climáticas.
No pavilhão do GES, o BIC coorganizou um fórum intitulado "O Papel das Comunidades Religiosas na Construção de uma Ética do Cuidado e da Justiça Climática", que se baseou em experiências globais em iniciativas de construção de comunidades.
Em seu discurso naquele fórum, o Sr. Perell falou sobre a importância de ampliar o senso de solidariedade da humanidade, reconhecendo que as decisões de hoje moldam as possibilidades disponíveis para as gerações futuras. "A ação urgente exige, na verdade, pensamento e uma abordagem de longo prazo, considerando as gerações futuras e nossa responsabilidade para com elas", afirmou.
O Sr. Perell contrastou abordagens que se baseiam principalmente em incentivos financeiros com o tipo de motivação observada no seio familiar, onde as pessoas agem em prol de seus filhos e netos por amor e responsabilidade moral.
Ao trazer essas considerações éticas para as discussões climáticas, ele sugeriu que isso pode desbloquear reservas mais profundas de coragem e perseverança.
Questões de preocupação com o bem-estar coletivo da humanidade também estiveram no centro de um evento paralelo oficial intitulado “Dos Princípios às Políticas: Caminhos Nacionais para Lidar com Perdas e Danos”, coorganizado pelo BIC e pelo governo de Vanuatu.
Lidar com perdas e danos exige mais do que mecanismos técnicos, observou Vahíd Vahdat, do Escritório de Assuntos Externos da Fé Bahá'í do Brasil. “Só seremos capazes de enfrentar esses desafios se também recorrermos às nossas melhores qualidades como civilização”, disse ele.
O Sr. Vahdat enfatizou a necessidade de combinar a análise científica com o diálogo, a confiança e o reconhecimento de que a humanidade é uma só família. O evento examinou como as comunidades podem desenvolver abordagens holísticas para os desafios climáticos, considerando as vulnerabilidades juntamente com as capacidades e aspirações, e garantindo que as populações locais possam identificar os desafios, analisar as circunstâncias e tomar medidas coletivas. Essa visão, afirmou o Sr. Vahdat, considera as pessoas como protagonistas da mudança social e da resiliência, e não meras vítimas.
Além do site oficial da conferência, as discussões exploraram ainda mais os temas de ética e motivação em um fórum TED intitulado “A crise climática é uma crise espiritual: um balanço ético global multirreligioso”.
Moderada por Nika Sinai, do Escritório de Assuntos Externos Bahá'í da Austrália, a discussão reuniu representantes de diferentes tradições religiosas e grupos da sociedade civil para examinar como princípios e valores como justiça, compaixão e veracidade podem inspirar decisões corajosas e como o conhecimento científico e a percepção espiritual podem ser compreendidos como sistemas de conhecimento complementares que, juntos, podem orientar uma ação climática eficaz.
“Reduzir as emissões exige as soluções técnicas com as quais estamos familiarizados, mas também exige um senso de compaixão e justiça para entendermos que nossas escolhas como emissores e consumidores de energia reverberam por toda a Terra e impactam tanto nossos semelhantes quanto o planeta que compartilhamos”, disse a Sra. Sinai. “Portanto, combinamos esses dois sistemas complementares de conhecimento — ciência e religião — em nossos esforços para resolver a crise climática.”
A contribuição da comunidade Bahá’í do Brasil na COP30 baseou-se na experiência em programas de educação moral e espiritual que capacitam os jovens a contribuir para a ação ambiental.
Antes da conferência, o Escritório Bahá'í de Assuntos Externos daquele país colaborou com a escola Vila do Boa Classe e organizações locais no Distrito Federal para realizar uma “mini-COP”, onde crianças e jovens refletiram sobre o tema “Qual é a aldeia dos nossos sonhos?” e conectaram suas esperanças a esforços práticos, como o plantio de árvores, a proteção de nascentes e a melhoria da gestão de resíduos em seu bairro. Este encontro fez parte de uma série mais ampla de outras conversas sobre o Balanço Ético Global, organizadas por comunidades Bahá'ís em diversos países, criando canais pelos quais as reflexões em nível local pudessem informar as discussões na COP30.
“O conhecimento técnico sobre mudanças climáticas já mostra muitas das medidas que precisamos tomar”, disse Luísa Cavalcanti, membro do Escritório de Assuntos Externos. “O que muitas vezes falta é uma vontade ética que possa impulsionar os processos de tomada de decisão.”
A Sra. Cavalcanti explicou que a mini-COP, bem como uma audiência pública subsequente na Câmara dos Deputados do Brasil, permitiu que os jovens articulassem suas preocupações e aspirações com suas próprias palavras. “Vemos que as crianças e os adolescentes não são apenas o futuro”, disse ela, “eles já estão agindo em suas comunidades”.
Essas experiências influenciaram diretamente o fórum da comunidade Bahá’í brasileira na Zona Verde da COP30, intitulado “Convergência na Diversidade: unindo diversos atores sociais em torno de objetivos ambientais compartilhados”.
O encontro reuniu grupos de jovens, educadores, organizações da sociedade civil e representantes de instituições públicas para explorar como diferentes perspectivas podem se complementar na ação climática.
A Sra. Cavalcanti explicou que a mini-COP, bem como uma audiência pública subsequente na Câmara dos Deputados do Brasil, permitiu que os jovens articulassem suas preocupações e aspirações com suas próprias palavras. “Vemos que as crianças e os adolescentes não são apenas o futuro”, disse ela, “eles já estão agindo em suas comunidades”.
Essas experiências influenciaram diretamente o fórum da comunidade Bahá’í brasileira na Zona Verde da COP30, intitulado “Convergência na Diversidade: unindo diversos atores sociais em torno de objetivos ambientais compartilhados”.
O encontro reuniu grupos de jovens, educadores, organizações da sociedade civil e representantes de instituições públicas para explorar como diferentes perspectivas podem se complementar na ação climática.