Com os apoios anunciados a provarem ser insuficientes, leva a ser  urgente a criação de um "fundo perdido a 100%" para que as empresas se possam reerguer, e o "descalabro total" das companhias de seguro é visto como "a maior das calamidades".

"Menos expectativas, mais apoios, menos palavras, mais atos": estes foram os primeiros apelos feitos pelo Presidente da República ao Executivo de Luís Montenegro.

Referindo-se ao apoio prestado às populações vítimas de fenómenos meteorológicos extremos, como o comboio de tempestades ou os incêndios, António José Seguro sublinhou que é preciso que as pessoas tenham a certeza de que, "quando o poder político fala, é para valer", e prometeu ser "exigente" nessa tarefa.

Seguindo as palavras do chefe de Estado, que notou igualmente que, quando são feitas promessas de apoio, é preciso que estas "sejam concretizadas", o autarca de Leiria sublinhoun que, num processo pós-catástrofe, o essencial resume-se à gestão de expectativas.

"Qualquer palavra tem de ser bem medida", vinca, criticando o anúncio do Governo de que, mediante apresentação de um registo fotográfico dos danos provocados pelas tempestades, iria ser adiantada uma verba às populações para que pudessem financiar as reparações.

Este compromisso, denuncia, criou uma "expectativa irreal e muito alta".

Gonçalo Lopes explica que é "humanamente impossível" analisar estes processos - que, ainda por cima, não chegam às autarquias "bem feitos" - de forma credível, tendo em conta apenas este registo fotográfico. Em causa, diz, está um "processo mais demorado" porque o trâmite tem de ser "seguro".

"É importante refletir [sobre isto]. O dinheiro terá de ser sempre atribuído a quem efetivamente foi vítima de catástrofe, que se enquadra dentro daquilo que foi definido pelo Governo", evidencia.

No que diz respeito ao apoio dado às empresas, Gonçalo Lopes desafia o Executivo de Luís Montenegro a dar "um passo mais importante" do que as linhas de apoio, "que são empréstimos", para que os negócios afetados possam "reerguer as suas estruturas".

Além de Leiria, também a Marinha Grande e o Pombal foram muito "afetados" pelo comboio de tempestades.

"Era preciso mesmo esse nível de conforto, porque isso representa a manutenção do posto de trabalho e significa o reerguer da economia e aquilo que é a nossa ambição para o futuro", argumenta.

O mesmo pedido é feito pelo presidente da Associação Empresarial de Santarém, Rui Serrano, que garante que o valor alocado não está a ser suficiente. Por "melhores condições e incentivos" que estas linhas de crédito possam dar, o que as empresas precisam neste momento é de um "fundo perdido de alta densidade a 100%", defende.

Além disso, Rui Serrano apela igualmente para uma reprogramação "inteligente" dos territórios afetados pelas tempestades e confessa ter esperança de que o PTRR possa responder de facto a estas questões, fazendo chegar às empresas "o apoio devido" para que estas se possam "reerguer".