Toda a região está em chamas, os misseis e os drones atingem as bases militares dos beligerantes e as dos EUA estão implantadas em todos os países que bordejam o Golfo Pérsico e quase todas foram já bombardeadas.
Donald Trump, sempre um otimista, referiu que a operação pode levar várias semanas até à rendição do Irão. Quantas semanas serão necessárias para lançar o mundo no caos económico, empurrar outros países para a guerra, provocar uma recessão e um surto prolongado de inflação? Como será gerida a escassez energética? Os EUA e a Rússia têm cartas fortes. Controlam diretamente ou indiretamente grande parte da produção da energia disponível. Um duopólio improvável, mas que na realidade é um monopólio para os respetivos mercados consumidores – os EUA com a Europa e o seu hemisfério americano e parte da Ásia (Japão, Coreia do Sul, Taiwan) e os Russos com a China e a Índia e alguns países adicionais (Coreia do Norte, Mongólia, etc.).
Se não tivessem baixas humanas e perdas de material militar excecionalmente caro (radares, mísseis, aviões), esta poderia ser uma guerra duradoira para os Estados Unidos. Uma equação de ganhos e perdas que já deve ter sido feita antes do ataque e refeita todos os dias.
Depois do embargo sobre as vendas de petróleo que lançaram nos anos 1970, os países árabes saboreiam agora, amargamente, a vingança americana, passando eles a enfrentar um embargo “de facto” das suas vendas. No fim da guerra não passarão de simples neocolónias americanas ou de protetorados israelitas (Jordânia? Líbano? Síria?).
Tal como nos anos 1970 em que a estagflação resultou do aumento simultâneo dos preços da energia, na altura principalmente do petróleo, e dos gastos militares americanos (envolvidos que estavam em vários conflitos prolongados, nomeadamente no Vietname), vemos hoje as mesmas causas erguerem-se à nossa frente. E, normalmente, as mesmas causas geram as mesmas consequências.
A União Europeia, depois de precipitadamente ter cortado a importação de energia russa, fica dependente dos Estados Unidos. Vai sofrer na sua competitividade. Vai sofrer no seu crescimento. Vai sofrer com a erosão das suas exportações. Vai sofrer no valor da sua moeda.
A estagflação, que contrariamente ao que previa a economia liberal, consiste na simultaneidade do desemprego e da inflação a níveis muito elevados. O combate à estagflação é, em geral lento e doloroso em termos sociais - redução real dos salários, taxas de juro altas, desvalorização da moeda, diminuição do Estado Social, nomeadamente ao nível da Saúde, Educação, Segurança Social e Pensões, alargamento do fosso entre ricos e pobres. Já o experimentamos nos anos 1970 e primeira metade dos anos de 1980, sabemos as dificuldades que então enfrentámos e a pobreza que significou para grande parte do povo português. Não queremos a estagflação de volta.
Estamos a entrar numa fase decisiva da guerra. Todo o esforço deve ser colocado para que a Paz seja restaurada. Os EUA devem, ordenando a Israel que também o faça, desistir dos seus planos de guerra, de assassinatos, de desestabilização do regime iraniano e regressar à mesa das negociações. O Irão em contrapartida deve permitir a passagem de navios no estreito de Ormuz.
Só a Paz pode evitar o pior. Trabalhemos e lutemos por ela.