Aqui está o artigo reescrito, enriquecido e estruturado:
Há datas que não são apenas datas. São marcos. Pontos de viragem na história de um povo. O 9 de maio é uma dessas datas — e este ano chega com um significado acrescido, tanto para a Europa como para Portugal.
Num ano em que se assinalam os 40 anos de adesão de Portugal à União Europeia, o Porto foi a cidade escolhida pela Representação da Comissão Europeia em Portugal para receber as comemorações do Dia da Europa.
A Invicta transforma-se assim, durante mais de um mês, no epicentro simbólico de uma identidade partilhada que urge recordar, celebrar e renovar.
Para compreender o significado do Dia da Europa, é preciso recuar 76 anos. No dia 9 de maio de 1950, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Robert Schuman, apresentou no Salon de l'Horloge do Quai d'Orsay, em Paris, uma proposta que mudaria o destino do continente europeu. Baseada numa ideia de Jean Monnet, a chamada Declaração Schuman propunha que França e Alemanha — nações que tinham devastado a Europa em duas guerras mundiais — partilhassem a produção de carvão e aço sob uma autoridade comum, tornando qualquer novo conflito entre elas "não só impensável, mas materialmente impossível."
O dia 9 de maio de 1950 é considerado o marco inicial da União Europeia, e foi por isso que os Chefes de Estado e de Governo, na Cimeira de Milão de 1985, decidiram consagrar essa data como Dia da Europa. Europa O primeiro Dia da Europa oficial foi celebrado em 1986 — precisamente o ano em que Portugal entrou para a então Comunidade Económica Europeia.
A adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia, a 1 de janeiro de 1986, marcou o início de uma nova era. Pouco tempo depois de sair de uma ditadura, o país dava os primeiros passos para o fortalecimento de um sistema democrático e pluralista. A integração europeia ajudou a consolidar esse processo e contribuiu de forma decisiva para a criação de uma sociedade aberta e inclusiva, assente no Estado de direito. Europa
Os números contam uma história de transformação que não deixa margem para dúvidas. Desde 1986, a esperança média de vida dos portugueses aumentou de 72,9 para 81,2 anos. O emprego cresceu de 4 milhões de postos de trabalho para 4,8 milhões em 2024. Ipca Basta pensar que há quarenta anos havia menos de 200 quilómetros de autoestrada — atualmente são mais de 3.000. Euronews O abandono escolar baixou de 50% em 1990 para os 6,6% atuais. O número de estudantes no ensino superior quase triplicou. Mais de 100 mil estudantes portugueses participaram em mobilidades académicas no estrangeiro através do Erasmus+.
Mais de 95 mil milhões de euros de fundos europeus foram investidos nas regiões portuguesas, e 7.000 projetos de investigação científica foram apoiados com quase 3 mil milhões de euros.
Mas a relação é de reciprocidade. Portugal não só beneficiou da integração europeia como também enriqueceu profundamente a União com a sua cultura, a sua solidariedade na linha da frente da proteção civil, a sua liderança na transição energética e na proteção dos oceanos, e os seus laços fortes, culturais e económicos com África e a América do Sul. Europa Hoje, 91% dos portugueses concordam que o país beneficiou da adesão à União Europeia.
O programa, promovido pelo Município do Porto em parceria com várias instituições europeias, surge num ano simbólico e estende-se de 27 de abril a 9 de junho, reforçando o papel ativo da cidade na construção europeia. Viva Porto A iniciativa conta com o envolvimento da Representação da Comissão Europeia, do Parlamento Europeu e do Banco Europeu de Investimento.
A programação combina cultura, cidadania, memória e debate, articulando diferentes gerações e temáticas em torno de um fio condutor: o que significa ser europeu hoje?
O ponto alto — 9 de maio
O dia central das comemorações reúne uma diversidade de iniciativas abertas a todos. Logo de manhã, arranca a Corrida da Europa, com um percurso de cinco quilómetros a partir do Museu do Carro Elétrico. Segue-se o hastear solene da bandeira da União Europeia nos Paços do Concelho, às 10h30, e uma mostra gastronómica na Praça General Humberto Delgado, onde chefs são desafiados a reinterpretar pratos típicos de vários Estados-Membros — uma viagem sensorial pela culinária do continente. Junto à estátua de Almeida Garrett, o Speaking Corner abre espaço à diversidade cultural dos cidadãos europeus.
O momento culminante acontece às 18h00, na Avenida dos Aliados, com um concerto de Katia Guerreiro e a Banda Sinfónica Portuguesa — uma fusão de fado e música sinfónica que celebra a música como linguagem universal e europeia.
O programa contempla duas conferências de referência. A primeira, a 7 de maio nos Paços do Concelho, dedica-se ao tema "40 Anos de Portugal na UE — O Percurso da Igualdade de Género", propondo uma leitura crítica dos avanços e dos desafios que persistem em quatro décadas de políticas públicas europeias. A segunda, a 15 de maio no histórico Edifício dos Correios, aborda "A Juventude na Europa" e os "Desafios e a Transição Ambiental", culminando num momento de particular significado: a assinatura da Carta do Porto para a Europa — uma expressão coletiva de compromisso com o futuro europeu.
De 27 de abril a 11 de maio, o espólio histórico do Regimento de Sapadores Bombeiros do Porto estará exposto na Rua da Constituição, evidenciando os laços desta unidade com o contexto europeu através de troféus, equipamentos e objetos históricos de diferentes países.
A partir de 9 de maio e durante um mês, o átrio dos Paços do Concelho acolhe a exposição "A Europeização do Sistema de Ensino Superior em Portugal — uma transformação profunda na educação e na investigação", traçando o percurso de quatro décadas de reforma e internacionalização académica.
No Terminal Intermodal de Campanhã, uma exposição fotográfica da STCP Serviços documenta, em imagens de antes e depois, o impacto concreto dos fundos europeus na cidade — do próprio Terminal às Escadas do Monte dos Judeus.
No Mercado do Bolhão, entre 8 e 22 de maio, a instalação urbana interativa "Todos Cuidamos da Europa" convida residentes e visitantes a deixar a sua mensagem e a assinalar o seu país de origem num mapa coletivo e vivo.
Num tempo em que os valores fundadores da União Europeia são questionados e os populismos ganham espaço, celebrar o Dia da Europa ganha uma dimensão que vai além da festa. É um ato de afirmação. É lembrar de onde viemos, o que custou construir e o que arriscamos perder se não cuidarmos daquilo que é comum.
Este ano, o Dia da Europa coincide com os 75 anos da Declaração Schuman Europa — o texto fundador de uma ideia que transformou inimigos históricos em parceiros de paz. Robert Schuman escreveu em 1950 que "a Europa não se construirá de uma só vez, nem de acordo com um plano único. Construir-se-á através de realizações concretas que criarão, antes de mais, uma solidariedade de facto."
Setenta e seis anos depois, o Porto recebe essa herança com a responsabilidade de a transmitir às gerações que virão. E fá-lo com a música, o debate, a gastronomia, a memória e a rua — instrumentos de uma cidadania que não se decreta, mas que se pratica.
A Europa começa aqui. Nos Aliados, no Bolhão, nos Paços do Concelho. E em cada pessoa que decide participar.
Entrada livre na maioria dos eventos. Consulte a programação completa em cm-porto.pt