Para JL Carneiro, o dever do seu partido é exigir "o escrutínio no Parlamento, nomeadamente na Comissão dos Negócios Estrangeiros", com uma audiçao  ao ministro Paulo Rangel

"No nosso entender, não é necessária uma comissão de inquérito, porque é normal, é regular que o ministro dos Negócios Estrangeiros responda às perguntas que lhe são feitas pelos deputados", disse, quando questionado sobre a comissão de inquérito que PCP e BE já pediram.

 Para José Luís Carneiro, a "pergunta é simples".

"Se aquilo que disse o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, não corresponde à verdade daquilo que se passou, o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros transmite essa mensagem em sede própria e com certeza que as questões ficam esclarecidas", desafiou.

Sobre Paulo Rangel, o líder do PS disse compreender "o desconforto", mas considerou que "não justifica tanto nervosismo".

"O primeiro-ministro contactou-me no dia 27 de fevereiro para perguntar a posição do PS sobre o uso da Base das Lajes. (...) E aquilo que eu disse foi que nós éramos contrários a uma intervenção militar feita à margem das Nações Unidas" e do direito internacional, referiu, enfatizando que já tinha dito o mesmo no parlamento perante Luís Montenegro.

Segundo o secretário-geral do PS, o Governo transmitiu que "colocou três condições em relação ao uso da Base das Lajes" e os socialistas consideraram que "essa justificação era uma justificação válida".e 

"O uso da Base das Lajes seria feito não para atos de guerra, mas para operações de logística e para apoio logístico a ações de retaliação, desde que fundamentadas, justificadas e proporcionais e nunca contra alvos civis. Nós concordamos com estas condições que o Governo colocou e dissemo-lo na Assembleia da República", disse.

No entanto, de acordo com Carneiro, aquilo que Marco Rubio veio "afirmar, para todo o mundo, é que Portugal disponibilizou a utilização sem perguntar para que efeito".

O ministro dos Negócios Estrangeiros escusou-se esta terça-feira a "falar mais" sobre o uso da Base das Lajes pelos Estados Unidos nos ataques ao Irão, argumentando que já foi "muito claro" e "o tempo da clareza agora é para outros".

Rangel insistiu que não vai "falar mais sobre isso", convidando a fazê-lo "quem lançou a confusão", sem nunca mencionar explicitamente o PS, cuja posição sobre esta matéria o ministro condenou "veementemente" na véspera.

Os pedidos do PS para audição de Rangel e do PCP e BE para uma comissão de inquérito surgiram na sequência de declarações do secretário de Estado norte-americano na quinta-feira, quando elogiou Portugal por aceitar o pedido dos Estados Unidos para utilizar a base das Lajes no conflito com o Irão.

Em entrevista à Fox News, Marco Rubio disse que essa autorização foi dada ainda antes de Portugal saber qual seria o pedido.

No mesmo dia, o ministério esclareceu em comunicado que "o pedido a Portugal para utilização da Base das Lajes só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas".

Segunda-feira, Rangel condenou a posição do PS sobre este tema, garantindo que o partido foi "informado e consultado previamente".