Segundo Tim Stockwell, da Universidade de Victoria no Canadá, "as pessoas precisam ser céticas em relação às alegações que a indústria tem promovido ao longo dos anos". Stockwell enfatiza que, embora o risco associado ao consumo moderado de álcool possa não ser tão imediato ou óbvio quanto outros hábitos prejudiciais, ele é real e significativo. "O importante é que os consumidores estejam cientes e informados sobre os riscos", afirma.
A questão central reside na comparação entre os consumidores moderados e aqueles que nunca consumiram álcool. Muitos estudos falham ao não distinguir adequadamente entre esses grupos, resultando em conclusões enganosas. "Os estudos mais recentes indicam que os não-bebedores tendem a ser mais saudáveis ao longo do tempo, especialmente porque frequentemente deixam de beber devido a problemas de saúde pré-existentes", explica Stockwell.
Outro ponto crítico é a relação em forma de J entre o consumo de álcool e o risco de mortalidade. Beber ligeiramente menos pode parecer benéfico comparado a não beber, mas um consumo superior rapidamente aumenta o risco. "O aumento no risco é notável e significativo", observa Stockwell, citando diversas pesquisas que corroboram essa conclusão.
A mensagem para a sociedade é clara: os supostos benefícios do álcool, como a melhoria na socialização e na saúde cardiovascular, são frequentemente superados pelos riscos associados. "Para muitos, o benefício de socializar sem álcool é maior do que o risco de consumir duas unidades de álcool", diz Dianne Meier da Associação Dietética Britânica.