O fenómeno é mais frequente em áreas rurais e afeta particularmente mulheres mais velhas, com o maior pico de incidência entre mulheres dos 45 aos 54 anos.
Contudo, a violência psicológica severa também atinge mais de metade das mulheres mais jovens.
A resposta jurídica e social tem evoluído e recentemente, em finais de 2025, o Parlamento moldavo aprovou leis que criminalizam a violência digital e o assédio online, reconhecendo estes atos como crime
Mas vejamos Angola, onde a violência doméstica é um dos grandes desafios aos direitos humanos.
O Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU) registou mais de 14 mil casos de violência contra mulheres com uma média diária de cerca de 39 denúncias apenas nos Centros de Aconselhamento Familiar.
Os relatórios oficiais e de organizações evidenciam dinâmicas e números específicos do fenómeno:
As mulheres e raparigas são as maiores vítimas, representando cerca de 71% a 82% das denúncias de violência doméstica e de género.
A maioria dos casos envolve agressões físicas e verbais, além de conflitos económicos como a fuga à paternidade e a não prestação de alimentos.
Em Angola as províncias com maiores índices de criminalidade neste âmbito são Luanda, Benguela, Cuanza Norte e Moxico.
Dados do Afrobarometer indicam que a maioria da população considera a violência contra a mulher um problema comum, sendo que dois terços dos angolanos apoiam o tratamento deste fenómeno na esfera criminal e não apenas familiar.
Em Cabo Verde, a violência doméstica, comumente tratada sob a designação de Violência Baseada no Género (VBG), é um fenómeno preocupante. Estatísticas oficiais recentes indicam que cerca de 19% a 20% das mulheres cabo-verdianas já reportaram ter sofrido algum tipo de violência por parte de parceiros íntimos.
O último Inquérito Demográfico e de Saúde Reprodutiva (IDSR) indicou uma taxa de prevalência de violência física de 11% entre as mulheres.
A Polícia Nacional de Cabo Verde registou 2.130 ocorrências de VBG num ano recente, das quais cerca de 88% tiveram vítimas do sexo feminino.
Dados do Ministério Público apontam para flutuações, tendo os processos de VBG chegado a registar um aumento anual de cerca de 6,4% em alguns ciclos recentes.
Mais de um terço das mulheres (36,3%) que tiveram relacionamentos anteriores relatam ter sofrido algum tipo de violência nessas relações.
Mas vejamos a UE onde cerca de 31% das mulheres na União Europeia experienciaram violência física ou sexual por parte de um parceiro íntimo ou de outros agressores desde os 15 anos de idade.
A nível diário, pelo menos duas mulheres são mortas por um familiar ou parceiro íntimo no bloco europeu.
Estima-se que 1 em cada 3 mulheres (31%) sofra de violência baseada no género ao longo da vida, com cerca de 13% a sofrer violência física severa e 17% a experienciar violência sexual.
Realidade em Portugal
Cerca de 25% das mulheres relatam ter sido vítimas de violência física ou sexual.
Mas, o país tem uma das menores taxas de queixas formais e registos de vitimação múltipla da UE.
Os países nórdicos como a Finlândia e a Suécia apresentam taxas mais elevadas de relatos de violência. Por outro lado, países do Sul como Portugal, Espanha e Grécia reportam taxas estatisticamente mais baixas na partilha de incidentes, o que reflete frequentemente uma menor capacidade de denúncia ou normas culturais de silenciamento.
Na última década, a Letónia e a Lituânia registaram consistentemente algumas das taxas mais altas de homicídios de mulheres por milhão de habitantes.
Estima-se que os custos anuais associados à violência de género e à violência por parceiro íntimo na UE atinjam cerca de 366 mil milhões de euros.