O documento revela as mudanças climáticas na Terra e adverte para o estado crítico do planeta.

O mais recente relatório da OMM confirma que o sistema climático da Terra está a atingir um ponto de rutura. Entre 2015 e 2025, o planeta registou os 11 anos mais quentes desde que existem registos. Este aquecimento levou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a deixar um aviso claro: “Quando a história se repete onze vezes, já não é uma coincidência. É um apelo à ação”.

Porém, o principal motor do aumento constante da temperatura é o desequilíbrio energético da Terra. Este desequilíbrio deve-se à elevada concentração de gases de efeito de estufa na atmosfera, que retém a energia solar e impedem a dissipação natural para o espaço. Este fenómeno registou níveis sem precedentes em 2025.

Outro dado alarmante do relatório refere-se ao papel dos oceanos na absorção de calor. Nas últimas duas décadas, as águas oceânicas retiveram anualmente cerca de 18 vezes o consumo total de energia de toda a humanidade. Esta sobrecarga afeta a vida marinha e contribui para a contínua subida do nível médio das águas do mar, tal como o degelo.

O secretário-geral das Nações Unidas reforçou a gravidade da situação: “O estado do clima global encontra-se em estado de emergência. O planeta Terra está a ser levado para além dos seus limites. Todos os indicadores climáticos estão em sinal de alerta”, alertou.

Todas as alterações no clima têm graves repercussões no quotidiano da vida humana através de fenómenos climáticos cada vez mais intensos e frequentes, como tempestades, secas ou inundações. 

Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, “as condições meteorológicas tornaram-se mais extremas. Em 2025, as ondas de calor, os incêndios florestais, a seca, os ciclones tropicais, as tempestades e as inundações causaram milhares de mortes e afetaram milhões de pessoas”, afirmou.

Desta forma, o Relatório Global do Clima 2026, lançado no dia mundial da meteorologia, levanta a importância da urgente integração de dados meteorológicos nos sistemas de saúde para permitir uma transição da resposta reativa para uma prevenção proativa, capaz de salvar vidas. 

“Fazemos as nossas monitorizações, não nos limitamos a prever o tempo e estamos a proteger o amanhã. As pessoas do amanhã. O planeta do amanhã!”, concluiu Celeste Saulo.