A expulsão dos judeus sefarditas de Portugal foi imposta por D. Manuel I, em dezembro de 1496, e efetivada em 1497, sob forte pressão das Espanhas, que exigiam uma suposta unidade religiosa na Península Ibérica.

Essa imposição estava diretamente ligada ao casamento do rei português com a infanta D. Isabel, união que acabaria, aliás, por não produzir os efeitos políticos esperados.

Dessa decisão resultaram conversões forçadas e perseguições violentas que deram origem à figura dos chamados cristãos-novos. Estes foram proibidos de abandonar o país e, a partir de 1536, passaram a ser perseguidos pela Inquisição.

Por decreto de 1496, D. Manuel I ordenou a expulsão de judeus e mouros até outubro de 1497, sob pena de morte.

Contudo, procurando impedir a fuga de capital humano e financeiro, o monarca dificultou deliberadamente a saída dos judeus. Em 1497 promoveu batismos forçados, chegando mesmo a separar crianças dos pais. A maioria dos judeus acabou obrigada a converter-se ao cristianismo, passando a ser designada como cristãos-novos, ou marranos. Muitos continuaram, porém, a praticar o judaísmo em segredo. É deste contexto histórico que surge, segundo várias tradições populares, a criação da alheira de aves, utilizada para simular hábitos alimentares cristãos.

Criou-se então um ambiente social e cultural profundamente hostil aos judeus e aos cristãos-novos. Esse clima conduziu ao Massacre de Lisboa de 1506 e consolidou-se com a instalação oficial da Inquisição em 1536, desencadeando uma nova diáspora portuguesa que se prolongaria até 1821.

Relatos das crónicas da época

Damião de Góis — Chronica do Felicissimo Rey D. Emanuel da Gloriosa Memória

«No mosteiro de São Domingos existe uma capela, chamada de Jesus, e nela há um Crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que deram foros de milagre, embora os que se encontravam na igreja julgassem o contrário. Destes, um Cristão-novo julgou ver somente uma candeia acesa ao lado da imagem de Jesus. Ouvindo isto, alguns homens de baixa condição arrastaram-no pelos cabelos para fora da igreja, mataram-no e queimaram logo o corpo no Rossio.

Ao alvoroço acudiu muito povo, a quem um frade dirigiu uma pregação incitando contra os Cristãos-novos. Após isso, saíram dois frades do mosteiro com um crucifixo nas mãos, gritando: “Heresia! Heresia!”.

Isto impressionou uma grande multidão de estrangeiros, marinheiros vindos da Holanda, Zelândia, Alemanha e outras paragens. Reunidos em número superior a quinhentos, começaram a matar os Cristãos-novos que encontravam pelas ruas. Os corpos, mortos ou meio vivos, eram queimados em fogueiras acesas na Ribeira e no Rossio.

Na tarefa ajudavam escravos e moços portugueses, transportando lenha e materiais para alimentar as chamas. Nesse Domingo de Pascoela mataram mais de quinhentas pessoas.

[...] Na Segunda-feira, continuaram as matanças com ainda maior crueldade. Invadiram casas, arrastaram famílias inteiras para as ruas e lançaram vivos e mortos nas fogueiras, sem piedade.

[...] Executavam crianças de colo, despedaçando-as ou esmagando-as contra paredes.

[...] Na Terça-feira, prosseguiram os massacres, embora já houvesse menos vítimas para encontrar. Calcula-se que tenham perecido mais de mil e novecentas pessoas.

[...] Muitos culpados foram posteriormente presos e executados. Quanto aos dois frades que incitaram o massacre, foram destituídos das ordens religiosas e queimados por sentença.»

Garcia de Resende

“Vi que em Lisboa se alçaram
povo baixo e villãos
contra os novos christãos,
mais de quatro mil mataram
dos que houve ás mãos;

uns d'elles vivos queimaram,
meninos despedaçaram,
fizeram grandes cruezas,
grandes roubos e vilezas
em todos quantos acharam.

[...]

muitos foram justiçados,
quantos acharam culpados,
homens baixos e bargantes,
e dois frades observantes,
vimos por isso queimados.”


Em 2015, Portugal aprovou uma lei que permitiu a concessão da nacionalidade portuguesa aos descendentes dos judeus sefarditas expulsos. O processo originou mais de 100 mil pedidos de nacionalidade.

Entre os requerentes encontrava-se o magnata russo-israelita Roman Abramovich.

Recordo-me de um enorme iate atracado junto a Santa Apolónia. Pela manhã, crianças saíam acompanhadas por dois seguranças gigantescos e brincavam no cais. Quando perguntei quem eram, responderam-me: “São as crianças do Abramovich.”

O iate possuía ainda dois helicópteros imponentes, simbolizando uma fortuna colossal.

Sou socialista autogestionário e rejeito certos discursos superficiais de “anticapitalismo” que ignoram a realidade extrema da concentração de riqueza global.

Os 10 mais ricos do mundo em 2026

  1. Elon Musk — Tesla e SpaceX: US$ 839 mil milhões
  2. Larry Page — Google: US$ 257 mil milhões
  3. Sergey Brin — Google: US$ 237 mil milhões
  4. Jeff Bezos — Amazon: US$ 224 mil milhões
  5. Mark Zuckerberg — Meta: US$ 222 mil milhões
  6. Larry Ellison — Oracle: US$ 190 mil milhões
  7. Bernard Arnault e família — LVMH: US$ 171 mil milhões
  8. Jensen Huang — Nvidia: US$ 154 mil milhões
  9. Warren Buffett — Berkshire Hathaway: US$ 149 mil milhões
  10. Amancio Ortega — Zara/Inditex: US$ 140 mil milhões

Destaques do ranking de 2026

O boom da Inteligência Artificial impulsionou grande parte destas fortunas. Sete das dez maiores riquezas do planeta estão ligadas direta ou indiretamente ao setor tecnológico e da IA.

O relatório da Forbes de 2026 aponta para um número recorde de 3.428 bilionários no mundo, impulsionado pela valorização dos mercados financeiros.

 

A pobreza global continua a crescer

Enquanto isso:

  • Os 50% mais pobres detêm apenas 2% da riqueza global.
  • Os 10% mais ricos controlam 75% da riqueza mundial.
  • O número de bilionários ultrapassou os 3.000, com uma fortuna conjunta de US$ 18,3 biliões.
  • Cerca de 64,5% dos pobres extremos vivem atualmente em países de rendimento médio, revelando uma profunda crise de desigualdade interna.

O caso de Moçambique

Mozambique continua entre os países mais pobres do mundo. Cerca de 81% da população vive com menos de três dólares por dia.

Entre os fatores estruturais que perpetuam a pobreza destacam-se:

  • dívida externa;
  • exploração desigual dos recursos naturais;
  • fragilidade institucional;
  • desigualdade de género.

As mulheres detêm pouco mais de um quarto do rendimento global do trabalho.

 

A fortuna e as controvérsias de Roman Abramovich

Segundo o Jerusalem Post, Abramovich foi descrito como “megafilantropo” e defensor da cultura judaica. Terá doado mais de 500 milhões de dólares para causas judaicas em vários países.

Em 2015, doou cerca de 30 milhões de dólares à Tel Aviv University para um centro de nanotecnologia e apoiou instituições médicas israelitas.

Mas a origem da sua fortuna continua envolta em polémica.

Abramovich construiu parte do seu império após adquirir a petrolífera Sibneft, antiga empresa estatal russa, nos anos 1990, por cerca de 250 milhões de dólares. Em 2005 vendeu-a por aproximadamente 13 mil milhões.

Segundo a BBC, Abramovich admitiu em tribunal britânico ter realizado pagamentos corruptos relacionados com o negócio da Sibneft.

Documentos citados pela BBC alegam que o Estado russo terá sido lesado em milhares de milhões de dólares e que investigações sobre fraude terão sido travadas durante o período de poder de Boris Yeltsin.


Após a invasão russa da Ukraine em 2022, Abramovich envolveu-se em tentativas de mediação entre Moscovo e Kiev, alegadamente a pedido de representantes ucranianos e com conhecimento de Vladimir Putin.

Em março de 2022 surgiram relatos de possível envenenamento de Abramovich e de negociadores ucranianos durante reuniões próximas da fronteira com a Bielorrússia.


Entretanto, muitos preferem ignorar as complexidades geopolíticas do Médio Oriente e o poder acumulado pelas monarquias petrolíferas.

Hoje, um dos homens mais poderosos da Saudi Arabia é Mohammed bin Salman.

Para consolidar o poder, centenas de figuras influentes foram detidas numa vasta operação anticorrupção. Contas bancárias foram congeladas e as autoridades sauditas alegaram recuperar mais de 100 mil milhões de dólares ligados a corrupção.

Entre os detidos encontravam-se:

  • Alwaleed bin Talal
  • Mutaib bin Abdullah

Importa também recordar que Portugal teve figuras intelectuais profundamente ligadas à Rússia, como António Nunes Ribeiro Sanches.

Ribeiro Sanches foi um dos nomes maiores do pensamento iluminista europeu. Serviu como médico da corte russa e foi nomeado Conselheiro de Estado pela imperatriz Elizabeth Petrovna em 1744.