No Portugal europeu existia uma profunda divisão relativamente à questão colonial.

A maioria dos partidos e movimentos políticos concordavam com o fim à guerra mas o certo é que ao tempo  ficou nas memorias da maioria o  famoso slogan do MRPP e da chamada extrema esquerda - Nem Mais um Soldado para as Colonias, mas não havia um consenso relativamente ao processo de descolonização.

Para a extrema-esquerda, como o MRPP e os dois PCP-ML, o MES, o PRP os Comunista e os CARPml era urgente conceder a independência imediata aos territórios ultramarinos;

Para o  PCP, haveria que iniciar -se as negociações apenas com os movimentos de libertação que considerava anticolonialistas (PAIGC,  MPLA e FRELIMO) anulando a UNITA e esquecendo que nao havia um MPLA mas sim 3 - o de Neto, a Revolta de Leste, o grupo que juntava mais guerrilheiros e a Revolta Ativa

O PS de Mário Soares demonstrava fortes reservas relativamente à solução federalista preconizada por António de Spínola e defendia a negociação direta das independências com os movimentos de libertação.

O PPD e os CDS andavam muito na orla federalista spinolista
A 15 de maio de de 1974 António de Spínola toma posse como Presidente da República e r
econhece o direito dos povos à autodeterminação e a necessidade de explorar os caminhos para a paz, ainda apostando no federalismo

Também o programa do I Governo Provisório, que integrava representantes de partidos como o PS, o PPD e o PCP, seguia a mesma linha:

  • alertava para a necessidade de as “populações residentes” nos territórios ultramarinos poderem “decidir o seu futuro no respeito pelo princípio da autodeterminação”;
  • reafirmava “a exploração de todas as vias políticas” que pudessem “conduzir à paz efectiva e duradoura no ultramar”;
  • defendia “a manutenção das operações defensivas” com vista “a salvaguardar a vida e os haveres” de todos os seus residentes.

Essa era tambem a  posição defendida em Luanda, pelo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Francisco Costa Gomes, quando este afirmara a intenção do governo português de “continuar a lutar contra os guerrilheiros” até que estes aceitassem as exigências portuguesas de cessar-fogo e se apresentassem como partido politico
Em Angola, as negociações para o cessar-fogo revelar-se-iam ainda mais complexas.

Embora em finais de maio o comandante-chefe das forças portuguesas Franco Pinheiro tivesse ordenado a suspensão de todas as operações ofensivas, era mantida a proibição da difusão da propaganda política dos três movimentos de libertação até que estes renunciassem à luta armada.

O primeiro movimento a declarar tréguas foi a UNITA, a 14 de junho.

Mas a verdade é que como quase todos os movimentos nacionalistas foram tambem em Angola apanhados de surpresa pelo 25 de  Abril, com a FNLA e os MPLA, a reagirem demasiado  tardiamente à

situação vigente

. A 19 de Maio de 1974 o comandante dos 50 mil soldados

portugueses estacionados em Angola suspendeu todas as operações militares para

permitir que os guerrilheiros aparecessem pacificamente na esperança de que tal

conduzisse a um acordo tendente a um cessar-fogo.

Savimbi foi o primeiro líder a beneficiar da suspensão das manobras ofensivas do Exército Português.

.A UNITA Disponibilizou-se em negociar com Portugal, o que lhe acarretaria a mais dura

condenação de todos movimentos de libertação de todas as colónias e da Organização da Unidade Africana (OUA)

Assim, a 14 de Junho, uma delegação militar portuguesa, em resposta a uma iniciativa da UNITA, assinava, nas margens do Lungué-Bungo, em Kangumbe, Leste de Angola, o primeiro acordo de cessação das hostilidades.

. Em Kinshasa, Holden

Roberto declarava que a FNLA não hesitaria em conquistar, se necessário, a independência "pela força, e aumentava a sua pressão no norte

. O MPLA de Agostinho Neto que mantinha contactos com os países europeus e com os Estados Unidos, mostrou algumas reservas relativamente ao MFA

Aos 14 de Junho de 1974 foram assim assinadas as tréguas entre a UNITA e oficiais portugueses sob o impulso do Dr. Jonas Savimbi.

Com  uma reunificação do MPLA, aos 2 de Setembro de 1974, foi formalmente para o Dr. Agostinho Neto assinar o cessar-fogo com os portugueses, aos 21 de Outubro de 1974.

Na verdade não se podia assinar o cessar-fogo com o MPLA dividido em três facções: MPLA – Neto, MPLA – Chipenda (Revolta do Leste) e MPLA – Pinto de Andrade (Revolta Activa), por isso houve uma necessidade imperiosa de reunificação.

Foi  o Dr. Jonas Savimbi que chamou o Dr. Agostinho Neto de Lusaka – Zambia à cidade do Luso (Actual Luena) para conversações e planificação da viagem rumo a Portugal conversar com o governo Português.

Por isso, aos 18 de Dezembro de 1974 o Dr. Agostinho Neto viajou de Lusaka até à cidade de Luso para conversações com o Dr. Jonas Savimbi.

Foi o Dr. Jonas Savimbi que convocou Holden Roberto, presidente da FNLA, Agostinho Neto presidente do MPLA para a assinatura do acordo trilateral em Mombaça (Quénia) de 3 a 5 de Janeiro de 1975 onde os três presidentes - Holden Roberto, Agostinho Neto e Jonas Savimbi – se comprometeram reconhecer a igualdade entre os movimentos de libertação nacional ( FNLA, MPLA e UNITA) e manter o respeito mútuo entre os seus presidentes.

Com a FNLA, o MPLA e a UNITA em pé de igualdade e representantes legítimos do povo Angolano, os seus presidentes assinaram com o governo Português os Acordos de Alvor, em Portugal aos 10 de Janeiro de 1975.

Erraram num aspeto que se mostraria essencial - a manutenção da comunidade branca, portuguesa ou angolana em Angola !