Para a extrema-esquerda, como o MRPP e os dois PCP-ML, o MES, o PRP os Comunista e os CARPml era urgente conceder a independência imediata aos territórios ultramarinos;
Para o PCP, haveria que iniciar -se as negociações apenas com os movimentos de libertação que considerava anticolonialistas (PAIGC, MPLA e FRELIMO) anulando a UNITA e esquecendo que nao havia um MPLA mas sim 3 - o de Neto, a Revolta de Leste, o grupo que juntava mais guerrilheiros e a Revolta Ativa
O PS de Mário Soares demonstrava fortes reservas relativamente à solução federalista preconizada por António de Spínola e defendia a negociação direta das independências com os movimentos de libertação.
O PPD e os CDS andavam muito na orla federalista spinolista
A 15 de maio de de 1974 António de Spínola toma posse como Presidente da República e reconhece o direito dos povos à autodeterminação e a necessidade de explorar os caminhos para a paz, ainda apostando no federalismo
Também o programa do I Governo Provisório, que integrava representantes de partidos como o PS, o PPD e o PCP, seguia a mesma linha:
Essa era tambem a posição defendida em Luanda, pelo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Francisco Costa Gomes, quando este afirmara a intenção do governo português de “continuar a lutar contra os guerrilheiros” até que estes aceitassem as exigências portuguesas de cessar-fogo e se apresentassem como partido politico
Em Angola, as negociações para o cessar-fogo revelar-se-iam ainda mais complexas.
Embora em finais de maio o comandante-chefe das forças portuguesas Franco Pinheiro tivesse ordenado a suspensão de todas as operações ofensivas, era mantida a proibição da difusão da propaganda política dos três movimentos de libertação até que estes renunciassem à luta armada.
O primeiro movimento a declarar tréguas foi a UNITA, a 14 de junho.
Mas a verdade é que como quase todos os movimentos nacionalistas foram tambem em Angola apanhados de surpresa pelo 25 de Abril, com a FNLA e os MPLA, a reagirem demasiado tardiamente à
situação vigente
. A 19 de Maio de 1974 o comandante dos 50 mil soldados
portugueses estacionados em Angola suspendeu todas as operações militares para
permitir que os guerrilheiros aparecessem pacificamente na esperança de que tal
conduzisse a um acordo tendente a um cessar-fogo.
Savimbi foi o primeiro líder a beneficiar da suspensão das manobras ofensivas do Exército Português.
.A UNITA Disponibilizou-se em negociar com Portugal, o que lhe acarretaria a mais dura
condenação de todos movimentos de libertação de todas as colónias e da Organização da Unidade Africana (OUA)
Assim, a 14 de Junho, uma delegação militar portuguesa, em resposta a uma iniciativa da UNITA, assinava, nas margens do Lungué-Bungo, em Kangumbe, Leste de Angola, o primeiro acordo de cessação das hostilidades.
. Em Kinshasa, Holden
Roberto declarava que a FNLA não hesitaria em conquistar, se necessário, a independência "pela força, e aumentava a sua pressão no norte
. O MPLA de Agostinho Neto que mantinha contactos com os países europeus e com os Estados Unidos, mostrou algumas reservas relativamente ao MFA
Aos 14 de Junho de 1974 foram assim assinadas as tréguas entre a UNITA e oficiais portugueses sob o impulso do Dr. Jonas Savimbi.
Com uma reunificação do MPLA, aos 2 de Setembro de 1974, foi formalmente para o Dr. Agostinho Neto assinar o cessar-fogo com os portugueses, aos 21 de Outubro de 1974.
Na verdade não se podia assinar o cessar-fogo com o MPLA dividido em três facções: MPLA – Neto, MPLA – Chipenda (Revolta do Leste) e MPLA – Pinto de Andrade (Revolta Activa), por isso houve uma necessidade imperiosa de reunificação.
Foi o Dr. Jonas Savimbi que chamou o Dr. Agostinho Neto de Lusaka – Zambia à cidade do Luso (Actual Luena) para conversações e planificação da viagem rumo a Portugal conversar com o governo Português.
Por isso, aos 18 de Dezembro de 1974 o Dr. Agostinho Neto viajou de Lusaka até à cidade de Luso para conversações com o Dr. Jonas Savimbi.
Foi o Dr. Jonas Savimbi que convocou Holden Roberto, presidente da FNLA, Agostinho Neto presidente do MPLA para a assinatura do acordo trilateral em Mombaça (Quénia) de 3 a 5 de Janeiro de 1975 onde os três presidentes - Holden Roberto, Agostinho Neto e Jonas Savimbi – se comprometeram reconhecer a igualdade entre os movimentos de libertação nacional ( FNLA, MPLA e UNITA) e manter o respeito mútuo entre os seus presidentes.
Com a FNLA, o MPLA e a UNITA em pé de igualdade e representantes legítimos do povo Angolano, os seus presidentes assinaram com o governo Português os Acordos de Alvor, em Portugal aos 10 de Janeiro de 1975.
Erraram num aspeto que se mostraria essencial - a manutenção da comunidade branca, portuguesa ou angolana em Angola !