Lula ressaltou que o Brasil está comprometido em transformar o chamado Arco do Desmatamento em um Arco da Restauração, com a recuperação de 12 milhões de hectares de vegetação nativa. Ele também destacou a homologação de 16 novas terras indígenas e a criação de quase 130 unidades de conservação na Amazônia.

“O povo amazônico merece viver livre da violência. Violência que destrói a floresta, envenena as águas e expulsa indígenas e ribeirinhos de suas casas”, afirmou.

O presidente brasileiro sublinhou que o combate à pobreza e à fome é inseparável da preservação ambiental.

Para Lula, sem oportunidades de educação, saúde e emprego, os povos amazonicos ficam mais vulneráveis ao crime organizado, ao garimpo e à mineração ilegal. “Não faz sentido uma região tão rica sofrer tanto com a fome e a pobreza”, criticou.

Ele destacou iniciativas como o programa de Florestas Produtivas, que fomenta o plantio de espécies nativas aliado ao cultivo de alimentos, e a expansão do Bolsa Verde, que transfere renda a famílias que vivem em áreas de conservação.

O presidente voltou a cobrar o engajamento das nações industrializadas no financiamento da proteção das florestas e na redução de emissões de gases de efeito estufa.

Segundo Lula, essas economias utilizam o discurso ambiental para impor barreiras comerciais e até justificar ingerências em questões de soberania.

“Há muito tempo que os países ricos nos acusam de não cuidar da floresta. Aqueles que poluíram o planeta tentam impor modelos que não nos servem”, declarou. Em tom firme, advertiu que “não existe saída individual para a crise climática” e que apenas o multilateralismo pode garantir avanços.

Lula criticou a postura unilateral do presidente dos Estados Unidos, Trump, em decisões internacionais: “Você não pode fazer o que o presidente estadunidense está fazendo. Tomando decisões sozinho sem levar em conta que existe a OMC, sem levar em conta a ONU, sem levar em conta nada”.

O presidente revelou que enviou cartas oficiais a todos os chefes de Estado, incluindo Trump, para participar da COP 30, que será realizada em novembro em Belém. “Não é uma carta eletronica, não. É com a minha assinatura, para ele demonstrar se vão tratar com seriedade essa COP ou não. Porque, se não tratarem, nós vamos ter que pensar o que fazer daqui para frente para cuidar do planeta”, disse.

Segundo Lula, a conferência climática em Belém representará uma nova plataforma de proteção da Amazônia, de garantia de direitos dos povos e de valorização da região na agenda global.

Ele anunciou o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, destinado a remunerar países que mantêm suas florestas em pé.

O presidente também ressaltou a importância da participação social no processo: “Se o aquecimento global dizimar a floresta, o povo amazonico será a primeira vítima. É mais do que justo que sua voz seja ouvida. A participação social será um elemento chave para o sucesso da COP 30”.

Lula apoiou a criação de um Conselho do Clima na ONU, para mobilizar os países para efetivar compromissos já assumidos.

Segundo ele, é preciso construir uma nova governança global que assegure que metas internacionais de redução de emissões sejam cumpridas.

“Os cientistas alertam sobre pontos de não retorno que podem desencadear processos irreversíveis. As chuvas se reduzirão, incêndios e secas farão parte da rotina e muitos perderão seus meios de vida. Se não houver futuro para a Amazônia e o seu povo, não haverá futuro para o planeta”, alertou.