E tem estado sobrestimado por não contar com toda a população estrangeira residente", disse à Lusa Óscar Afonso, diretor da FEP e um dos autores de um estudo do Gabinete de Estudos Económicos, Empresariais e de Políticas Públicas (G3E2P) da FEP, no caso a análise Flash nº.3 de 2025, hoje divulgada.

Diz  Óscar Afonso que os dados oficiais mostram que "em 2023 o valor do nível de vida correspondia a 80,7% da média da União Europeia [UE]", estando Portugal na 18.ª posição a nível europeu.

"Mas se corrigirmos pelos dados da AIMA [Agência para a Integração, Migrações e Asilo] passamos para 78,92%, ou seja, para a 19.ª posição", refere, apontando ainda que em 2024, 2025 e 2026 "há uma revisão em baixa de 2,4 pontos percentuais, que se mantém".

Segundo o académico, se considerados os dados da AIMA e estimativas do estudo sobre evolução da população, em 2024 "o nível de vida estará a 79,18% contra os 81,6% oficiais, em 2025 estará nos 79,27% contra os 81,70% que serão oficiais, e em 2026 79,47% contra os que irão ser oficiais de 81,9%".

Em causa está a diferença entre os dados do Relatório intercalar sobre a Recuperação de processos pendentes da AIMA, revelado em abril, tendo conta "a revisão em alta da população média que decorre dos novos números de estrangeiros com estatuto legal de residente", e os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), ainda não revistos.

"A população estrangeira aumentou de forma acentuada. Em 2017 cresceu 4,1%. Em 2024 cresceu 14,4% e serão já 1,6 milhões de residentes", assinala Óscar Afonso, falando num aumento de imigrantes de cerca de 300 mil por ano e considerando que "a economia não precisava de tantos", apesar de necessitar dos mesmos "para crescer", defendendo o economista um "padrão de especialização diferente".