No entanto, um facto impõe-se de forma cada vez mais evidente: o social-imperialismo está presente em todas as experiências que hoje reclamam “socialismo real/existente”, desde Cuba até à China, quer sob a forma de potência imperialista emergente, quer enquanto país capitalista dependente, integrado na ordem imperialista mundial.

Esta degeneração capitalista não resulta de erros isolados, nem da acção moral de um indivíduo ou de uma liderança em particular, mas da vitória gradual da linha que, no interior do Partido, defende a reabilitação da classe burguesa, e a manutenção do capitalismo. Trata-se de um fenómeno amplamente analisado pelo camarada Mao Tsé-Tung, e contra o qual travou uma luta persistente até ao fim da sua vida.

Duas questões de grave importância colocam-se aos comunistas de hoje:

  1. Não existem, hoje, países socialistas.
    2. Aqueles que se proclamam representantes do socialismo científico nos dias de hoje não fazem senão manchar o legado do marxismo diante dos olhos do proletariado internacional, traindo desde logo a classe operária dos seus próprios países e, como no caso da China, avançando ainda mais longe na exploração dos povos de outros países.

É neste contexto que surgem determinadas vozes, particularmente os conhecidos teóricos da chamada “geopolítica”, defensores do mito do “mundo multipolar”, que não só acusam qualquer crítica ao imperialismo chinês de “servir o imperialismo americano”, como chegam ao ponto de afirmar que a hegemonia chinesa seria, de alguma forma, preferível à hegemonia norte-americana.
Tal posição não só carece de qualquer base no marxismo (negando a própria definição de imperialismo), como constitui uma concepção profundamente reaccionária, antagónica aos interesses do proletariado internacional. A substituição de uma potência imperialista por outra não representa qualquer avanço para os povos oprimidos, mas apenas a reorganização da exploração à escala mundial.

Ainda assim, importa que enquanto comunistas nos demarquemos firmemente desta posição, que não passa de um ataque falacioso do mais baixo nível, cujo objectivo é um só: espalhar a confusão no seio das massas, desviando-as da compreensão do carácter de classe do imperialismo, independentemente da bandeira sob a qual este se apresente.

Um ponto importante a considerar é que, de facto, o imperialismo ascendente chinês não se encontra ainda num nível equiparável ao  imperialismo norte-americano. Tal constatação não constitui, no entanto, qualquer argumento em sua defesa. Como afirmava o camarada Mao Tsé-Tung na concepção segundo a qual “delineiam-se três mundos” (a não confundir com a teoria reaccionária dos “três mundos” de Deng Xiaoping) as contradições entre potências imperialistas não anulam o seu carácter comum enquanto inimigas dos povos e da revolução.

Assim como os revisionistas há 40 anos defendiam que o expansionismo social-imperialista “Soviético” seria de alguma forma benéfico para os povos oprimidos do mundo, hoje esses mesmos revisionistas defendem que o papel ocupado pela China na ordem imperialista mundial, tem um carácter “Internacionalista”, defendendo governos populares e o desenvolvimento das nações oprimidas, estando estas supostamente a criar uma nova ordem mundial.
O que observamos na realidade é que a China não se tem limitado em apoiar da boca para fora, governos reaccionários fascistas e anti-populares, mas tem-lhes vendido armas e oferecido treinos militares e de inteligência, como é o caso das Filipinas e Turquia onde essas mesmas armas são usadas contra grupos revolucionários que praticam a luta armada, como o “Novo Exército Popular”, braço armado do Partido Comunista das Filipinas.

Ainda antes disso, em 2005 durante a guerra civil nepalesa, o estado chinês vendeu armas e ofereceu auxílio financeiro ao governo monárquico que acabou derrotado pelo Partido Comunista do Nepal (Maoista).

Hoje, investidores chineses desalojam famílias. Tomam conta de sectores estratégicos e básicos da economia, rasgam o véu da independência nacional no nosso país, e em tantos outros, como no Mianmar, na Mongólia, no Nepal, no Afeganistão, no Sri Lanka, Laos etc…
 
Observamos em África, o social-imperialismo chinês na sua forma mais desavergonhada, sem amarras nenhumas. Observamos a pilhagem das suas riquezas, os seus recursos naturais extraídos a troco de migalhas, a destruição dos solos, o trabalho mal pago com taxas de mortalidade e acidentes de trabalho abismais, sem qualquer preocupação pelos trabalhadores africanos ou pelas suas famílias. Observamos o endividamento geracional, de países que, em troca de simpáticas e generosas obras de construção, como hospitais, estradas e edifícios governamentais, se tornam vassalos políticos da camarilha imperialista revisionista chinesa no plano da política internacional.

Serão estes, os “benefícios colhidos pelos povos oprimidos do mundo”? O desalojamento de famílias? O fortalecimento das forças fascistas de ocupação, como na Palestina e no Saara Ocidental? A manutenção do mais desenfreado capitalismo? O endividamento? A perda da Independência Nacional?

A tudo isto, opõe-se o Marxismo, como ideologia viva científica do Proletariado Internacional. Não é de mais ninguém. É com essa arma na mão que os povos oprimidos do mundo devem ousar lutar contra o imperialismo e o social-imperialismo, contra o saque dos seus países, e pela sua independência e autodeterminação nacional. Devem ousar esmagar os reaccionários e os imperialistas, pintem-se eles de que cores quiserem, hasteiem eles as bandeiras que quiserem.

Autor identificado

Por fim: se porventura quer obter mais informações, dou um conselho:

Por favor leia os clássicos, não faça como a maioria dos deputados do parlamento europeu, não só! Na sua maioria não leem um livro sequer!!!