Duas questões de grave importância colocam-se aos comunistas de hoje:
É neste contexto que surgem determinadas vozes, particularmente os conhecidos teóricos da chamada “geopolítica”, defensores do mito do “mundo multipolar”, que não só acusam qualquer crítica ao imperialismo chinês de “servir o imperialismo americano”, como chegam ao ponto de afirmar que a hegemonia chinesa seria, de alguma forma, preferível à hegemonia norte-americana.
Tal posição não só carece de qualquer base no marxismo (negando a própria definição de imperialismo), como constitui uma concepção profundamente reaccionária, antagónica aos interesses do proletariado internacional. A substituição de uma potência imperialista por outra não representa qualquer avanço para os povos oprimidos, mas apenas a reorganização da exploração à escala mundial.
Ainda assim, importa que enquanto comunistas nos demarquemos firmemente desta posição, que não passa de um ataque falacioso do mais baixo nível, cujo objectivo é um só: espalhar a confusão no seio das massas, desviando-as da compreensão do carácter de classe do imperialismo, independentemente da bandeira sob a qual este se apresente.
Um ponto importante a considerar é que, de facto, o imperialismo ascendente chinês não se encontra ainda num nível equiparável ao imperialismo norte-americano. Tal constatação não constitui, no entanto, qualquer argumento em sua defesa. Como afirmava o camarada Mao Tsé-Tung na concepção segundo a qual “delineiam-se três mundos” (a não confundir com a teoria reaccionária dos “três mundos” de Deng Xiaoping) as contradições entre potências imperialistas não anulam o seu carácter comum enquanto inimigas dos povos e da revolução.
Assim como os revisionistas há 40 anos defendiam que o expansionismo social-imperialista “Soviético” seria de alguma forma benéfico para os povos oprimidos do mundo, hoje esses mesmos revisionistas defendem que o papel ocupado pela China na ordem imperialista mundial, tem um carácter “Internacionalista”, defendendo governos populares e o desenvolvimento das nações oprimidas, estando estas supostamente a criar uma nova ordem mundial.
O que observamos na realidade é que a China não se tem limitado em apoiar da boca para fora, governos reaccionários fascistas e anti-populares, mas tem-lhes vendido armas e oferecido treinos militares e de inteligência, como é o caso das Filipinas e Turquia onde essas mesmas armas são usadas contra grupos revolucionários que praticam a luta armada, como o “Novo Exército Popular”, braço armado do Partido Comunista das Filipinas.
Ainda antes disso, em 2005 durante a guerra civil nepalesa, o estado chinês vendeu armas e ofereceu auxílio financeiro ao governo monárquico que acabou derrotado pelo Partido Comunista do Nepal (Maoista).
Hoje, investidores chineses desalojam famílias. Tomam conta de sectores estratégicos e básicos da economia, rasgam o véu da independência nacional no nosso país, e em tantos outros, como no Mianmar, na Mongólia, no Nepal, no Afeganistão, no Sri Lanka, Laos etc…
Observamos em África, o social-imperialismo chinês na sua forma mais desavergonhada, sem amarras nenhumas. Observamos a pilhagem das suas riquezas, os seus recursos naturais extraídos a troco de migalhas, a destruição dos solos, o trabalho mal pago com taxas de mortalidade e acidentes de trabalho abismais, sem qualquer preocupação pelos trabalhadores africanos ou pelas suas famílias. Observamos o endividamento geracional, de países que, em troca de simpáticas e generosas obras de construção, como hospitais, estradas e edifícios governamentais, se tornam vassalos políticos da camarilha imperialista revisionista chinesa no plano da política internacional.
Serão estes, os “benefícios colhidos pelos povos oprimidos do mundo”? O desalojamento de famílias? O fortalecimento das forças fascistas de ocupação, como na Palestina e no Saara Ocidental? A manutenção do mais desenfreado capitalismo? O endividamento? A perda da Independência Nacional?
A tudo isto, opõe-se o Marxismo, como ideologia viva científica do Proletariado Internacional. Não é de mais ninguém. É com essa arma na mão que os povos oprimidos do mundo devem ousar lutar contra o imperialismo e o social-imperialismo, contra o saque dos seus países, e pela sua independência e autodeterminação nacional. Devem ousar esmagar os reaccionários e os imperialistas, pintem-se eles de que cores quiserem, hasteiem eles as bandeiras que quiserem.
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Por fim: se porventura quer obter mais informações, dou um conselho:
Por favor leia os clássicos, não faça como a maioria dos deputados do parlamento europeu, não só! Na sua maioria não leem um livro sequer!!!