Hoje formam a maior comunidade de refugiados do mundo, contando-se mais de 5 milhões de palestinos em campos de refugiados localizados nos países vizinhos da Palestina.
É a única comunidade refugiada que pelo seu tamanho tem uma agência das Nações Unidas dedicada exclusivamente a tratar dos seus problemas – a UNRWA que apesar dos poucos fundos de que dispõe tem feito um trabalho notável. Recentemente o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres visitou uma escola da UNRWA no Líbano onde pediu à comunidade palestina para “Não perder a esperança”.
Após a expulsão dos palestinos, os sionistas arrasaram as casas, cortaram as oliveiras e entregaram os terrenos a colonos recentemente chegados aos territórios a que agora chamavam Israel, substituindo a antiga designação de Palestina, a terra onde Jesus Cristo nasceu, cresceu e morreu.
Para os palestinos esta foi uma grande Catástrofe, palavra que em árabe se diz Nakba. Aí começou uma luta pelo retorno às suas terras e casas. Muitas famílias palestinas guardam as chaves das suas antigas casas como símbolo da sua vontade, da esperança que António Guterres lhes pede que não abandonem, de regressar à sua terra natal e voltar a plantar as oliveiras.
Israel, entretanto, tornou-se no que várias organizações americanas e europeias, como a Human Rights Watch (HRW) e a Amnistia Internacional, designam como um Estado de apartheid, discriminando os árabes, cristãos e muçulmanos, e até alguns judeus que não conseguem provar a sua ascendência por via materna.
Um Estado que invadiu Gaza, arrasou as casas e as escolas, destruiu os Hospitais, matou os médicos, a população civil, incluindo dezenas de milhares de crianças e usa a fome como uma arma. O genocídio de Gaza que prossegue sem pausas foi agora alargado à Cisjordânia e ao Sul do Líbano. Dezenas de aldeias cristãs, igrejas católicas, bem como muçulmanas em ruinas, as pessoas expulsas, os símbolos religiosos, crucifixos e outros, despedaçados à martelada. E Israel continua a cometer estas atrocidades com o beneplácito e apoio, económico, militar e diplomático, dos países ocidentais entre os quais, lamentavelmente Portugal. Poucas vozes se levantam contra estes crimes. Na Europa quem se opõe ao genocídio é apelidado de antissemita, perseguido e preso. Apesar do Papa ter levantado a sua voz a maioria dos políticos cristãos europeus apoia Israel e condena Leão IV.
Neste dia triste, em que se assinala o início de uma longa provação, de 78 anos, a que o povo palestino continua sujeito, lembro que não está só. Pelo contrário, a Assembleia das Nações Unidas tem aprovado sucessivas moções de apoio à sua causa, exigido a Israel que retire dos territórios ocupados, que reconheça os direitos dos palestinos que vivem em Israel, e que permita o regresso dos refugiados e seus descendentes às suas terras e aldeias.
Junto-me a António Guterres quando apela à esperança. E como ele, na modesta escola da UNRWA num campo de refugiados palestinos no Líbano, quero deixar uma palavra de solidariedade e de apoio à solução de dois Estados defendida pelas principais organizações palestinas. O Estado de Israel já existe. O da Palestina tarda. É tempo de resolver definitivamente esta injusta situação.