A artista plástica Misa Kouassi tem vindo a consolidar, em Cabo Verde, um percurso de intervenção cultural que cruza criação artística, formação académica e compromisso social.
Os mais recentes workshops realizados na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), na cidade da Praia, confirmam essa abordagem: a arte como linguagem viva, pedagógica e profundamente ligada ao território.
Dirigidas a estudantes universitários de diferentes áreas, as sessões assumiram um formato prático e reflexivo, onde o gesto artístico foi entendido não apenas como técnica, mas como ato de consciência. Através de exercícios experimentais, diálogo aberto e partilha de processos criativos, Misako Asi desafiou os participantes a questionar a sua relação com os materiais, com a memória coletiva e com as narrativas visuais que atravessam a sociedade cabo-verdiana contemporânea.
Mais do que ensinar a “fazer arte”, os workshops propuseram um caminho de leitura do mundo. A artista incentivou os estudantes a observar o quotidiano como matéria-prima estética, a reconhecer símbolos culturais muitas vezes invisibilizados e a transformar experiências pessoais em expressão plástica. O resultado foi um espaço de aprendizagem horizontal, onde a universidade se abriu à criação e a criação se afirmou como conhecimento legítimo.
O impacto destas iniciativas vai além do momento formativo. Para a Uni-CV, os workshops representam uma aposta clara na valorização das artes no contexto académico e no reforço da ligação entre a universidade e os agentes culturais do país. Para os estudantes, significaram contacto direto com práticas artísticas contemporâneas e com uma visão da arte comprometida com identidade, pertença e futuro.
Num país onde a cultura é um dos pilares da coesão social e da projeção internacional, o trabalho desenvolvido por Misako Asi na Praia inscreve-se numa dinâmica mais ampla de afirmação cultural. Ao levar a sua experiência e sensibilidade para o espaço universitário, a artista contribui para formar não apenas criadores, mas cidadãos mais conscientes do poder simbólico e transformador da arte.
Os workshops agora realizados reforçam, assim, a importância de investir em projetos que cruzem educação, cultura e comunidade. Em Cabo Verde, a arte continua a encontrar novos lugares de diálogo — e a Uni-CV, com iniciativas como esta, confirma-se como um desses espaços onde o pensamento crítico ganha forma, cor e sentido.