Entre o Cais do Sodré e o Rossio, milhares de manifestantes gritaram contra as alterações à lei laboral e, em pouco mais de uma hora de percurso, pediram melhores condições de trabalho.
"É só mais um empurrão e o pacote vai ao chão", ouviu-se pelas ruas de Lisboa, assim como "o público é de todos, o privado é só de alguns".
Aos jornalistas, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, sublinhou que "este pacote laboral é negativo para o mundo do trabalho e é negativo para os trabalhadores" e avisou que o Governo "sabe que tem no Chega e na Iniciativa Liberal um braço armado para dar continuidade a esta política".
"Exigimos a retirada do pacote laboral, exigimos discutir a melhoria das condições de vida dos trabalhadores com propostas concretas de alteração à legislação que hoje está em vigor para melhorar as condições de vida de quem trabalha", acrescentou Tiago Oliveira no início da manifestação, ainda no Cais do Sodré.
O anteprojeto de reforma, chamado "Trabalho XXI", foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025 e a ministra do Trabalho já sinalizou a intenção de submeter a proposta de lei no Parlamento
As alterações propostas pelo Governo em julho mereceram um "não" das centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos dos trabalhadores.
A oposição levou a CGTP e a UGT a avançarem, em conjunto, para uma greve geral, realizada em 11 de dezembro de 2025.
As confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.
Na segunda-feira, após se ter reunido com a UGT e as quatro confederações empresariais, a ministra do Trabalho indicou que, nas reuniões técnicas, "já houve algumas áreas de conciliação", nomeadamente em matéria de parentalidade, inteligência artificial e novas tecnologias. "Mas é um consenso ao nível técnico" apenas, acrescentou Rosário Palma Ramalho, escusando-se a detalhar as medidas concretas.
Está prevista uma reunião plenária de Concertação Social para a próxima terça
A UGT na verdade nada disse e está somente a ser usada para o marketing do governo