O Mali sob o fogo da revolta autonomista 

O Mali está em choque após os ataques a bases militares no fim de semana. Destes ataques resultaram s morte do Ministro da Defesa, Sadio Camara, da sua esposa, dois filhos e um número indeterminado de outras pessoas.

Segundo relatos, explosões intermitentes continuaram nos arredores do Aeroporto Internacional de Senou, ao sul da capital Bamako, no final da noite de segunda-feira.

Pelo menos 16 pessoas ficaram feridas nas ofensivas que começaram no sábado, realizadas pelo Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) e por combatentes separatistas da Frente de Libertação de Azawad (FLA).

Vídeos mostraram dezenas de combatentes em motocicletas entrando com pouca resistência em cidades do norte do país: Kidal, Gao, Sevare, além de Kati e Bamako.

O FLA luta pela autodeterminação.

Eis o que sabemos sobre o movimento que busca autonomia no norte do Mali e o que sua última ação significa para o seu futuro e para o Mali:

Azawad é uma região autoproclamada autonoma no norte do Mali, proclamada durante a guerra civil maliana de 2012.

As raízes do movimento de independência vêm de há  décadas.

Os tuaregues étnicos lutam por um estado independente desde o início do século XX.

Após a saída dos colonizadores franceses do Mali – então Sudão Francês – em 1960, essa reivindicação intensificou-se .

Os tuaregues e os árabes ocupam predominantemente o norte do Mali.

Eles têm laços mais estreitos com as populações da Argélia, do norte do Níger e de partes da Mauritânia do que com o povo bambara, que constitui a maioria da população do Mali.

Em 1962, rebeldes tuaregues começaram a atacar posições governamentais no norte do Mali em ofensivas descoordenadas e a rebelião foi esmagada, forçando muitos civis a fugir para países vizinhos e causando ressentimento.

As secas no norte, que dizimaram o gado e afetaram gravemente o estilo de vida nomada da população, agravaram a situação.

Em 1990, os rebeldes atacaram novamente com tuaregues do norte do Níger.

Os grupos no Mali eram o Movimento Popular para a Libertação de Azawad (MPLA), fundado por Iyad Ag Ghaly; a Frente Islâmica Árabe de Azawad (FIAA); e os Movimentos e Frentes Unidas de Azawad (MFUA).

Um acordo de paz foi firmado com alguns dos rebeldes em 1995, mas os ataques continuaram esporadicamente no norte do Mali.