A Região Autónoma da Madeira assinalou esta sexta-feira os 50 anos da sua Autonomia e os 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia, numa cerimónia solene realizada na histórica Fortaleza de São João Baptista do Pico, no Funchal, marcada pela assinatura da Declaração do Funchal e por uma forte mensagem de coesão territorial, democracia, solidariedade e responsabilidade europeia.

O Presidente da República, António José Seguro, e o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque (PSD/CDS-PP), assinaram a Declaração do Funchal, um documento que, segundo o Chefe de Estado, simboliza um compromisso renovado com o futuro da Madeira, de Portugal e da Europa.

No seu discurso, António José Seguro destacou o percurso de transformação vivido pela Região Autónoma nas últimas cinco décadas, descrevendo-o como um ciclo de esperança, mudança e afirmação democrática.

Do ponto de vista emocional, os cinquenta anos que hoje assinalamos foram o tempo de uma flor que se abre. A nossa imaginação e as nossas crenças consolidadas em esperança. Sonhos de uma nova era, alguns irrealistas, outros cumpridos, mas sempre num fluxo genuíno de transformação”, declarou.

A cerimónia teve um forte simbolismo político e histórico, unindo duas datas marcantes da história contemporânea portuguesa: a conquista da autonomia madeirense e a integração europeia, que o Presidente considera determinantes para o desenvolvimento da região.

Declaração do Funchal: um compromisso renovado com o futuro

Segundo António José Seguro, a Declaração do Funchal representa um compromisso político e institucional assente nos valores da democracia, da solidariedade, da responsabilidade e da coesão territorial.

A Declaração do Funchal afirma um compromisso renovado com o futuro — uma Região Autónoma da Madeira fiel aos valores da democracia, da solidariedade e da responsabilidade. Um Portugal mais coeso e plural. E uma Europa mais unida, mais segura, mais justa e capaz de garantir que nenhum cidadão e nenhum território ficam à margem do progresso comum”, afirmou.

Pelo simbolismo do local onde decorreu a cerimónia, António José Seguro considerou ainda que a declaração representa um:

  • compromisso pela paz;
  • compromisso pelo respeito dos Direitos Humanos;
  • apelo à preservação da ordem internacional baseada no respeito entre povos e nações.

É uma afirmação de que a ordem internacional que respeita os direitos das nações e dos povos é uma conquista que exige esforço permanente para a sua preservação”, salientou.

Madeira não é periferia: “é uma das âncoras atlânticas da Europa”

Num dos momentos centrais da sua intervenção, o Presidente da República destacou a relevância geopolítica da Madeira no contexto europeu e atlântico, recusando qualquer visão periférica da Região Autónoma.

Hoje, o Funchal dá continuidade a esses gestos. E fá-lo num lugar com o seu próprio significado geopolítico. Porque a Madeira não é uma periferia da Europa. É uma das suas âncoras atlânticas”, declarou.

O Presidente recordou ainda que a cerimónia evocava momentos fundamentais da democracia portuguesa, entre os quais:

  • a Revolução de Abril;
  • a Constituição Democrática;
  • as primeiras eleições livres para a Assembleia da República;
  • as eleições para as Assembleias Legislativas Regionais da Madeira e dos Açores;
  • as eleições para as autarquias locais;
  • e a assinatura do Tratado de Adesão às Comunidades Europeias.

Segundo António José Seguro, todos estes momentos:

Marcam a vontade de um Portugal livre, democrático, coeso e europeu.”

Um alerta sobre guerras, chantagem económica e instabilidade internacional

Durante a cerimónia, António José Seguro fez também um retrato das crescentes tensões internacionais, alertando para os desafios geopolíticos que ameaçam a estabilidade global.

O Presidente referiu a existência de:

  • novas guerras;
  • represálias económicas;
  • chantagem com recursos essenciais;
  • decisões políticas irresponsáveis.

Há novas guerras, represálias económicas e chantagem com recursos essenciais”, afirmou, acrescentando que continuam a morrer pessoas “em consequência de decisões imaturas e de poderes que confundem força com razão”.

Num alerta particularmente simbólico para a Madeira, António José Seguro advertiu:

O Atlântico que rodeia este arquipélago corre o risco de deixar de ser um espaço tranquilo.”

Custos da insularidade exigem respostas públicas

O Presidente da República defendeu igualmente uma Europa mais protetora dos seus cidadãos, numa perspetiva ampla de soberania e autonomia estratégica.

Entre os domínios considerados prioritários destacou:

  • medicamentos;
  • energia;
  • tecnologias avançadas;
  • cadeias de abastecimento essenciais.

Ao mesmo tempo, chamou a atenção para os desafios específicos das regiões ultraperiféricas, defendendo políticas diferenciadas para territórios insulares.

Os custos da insularidade são reais e as suas especificidades exigem respostas que o mercado, sozinho, nunca dará”, vincou.

Segundo António José Seguro, a proteção dos cidadãos deve considerar de forma particular quem vive nas regiões ultraperiféricas, sob pena de se aprofundarem desigualdades territoriais.

Meio século de autonomia e quatro décadas de transformação europeia

Ao refletir sobre o percurso da Madeira ao longo dos últimos 50 anos e os 40 anos da presença portuguesa na União Europeia, António José Seguro sublinhou o impacto positivo do ciclo democrático e europeu.

O Presidente classificou este período como um tempo de:

  • liberdade criativa”;
  • profundo desenvolvimento”.

“As diferenças são incomparáveis. O acesso à saúde, à educação e à mobilidade transformou-se de forma irreversível. A adesão à então CEE foi um grande acelerador desta transformação e continua a sê-lo”, afirmou.

Ainda assim, deixou um alerta para as desigualdades persistentes:

Muitos foram, e estão ainda a ser, excluídos”, advertiu.

Para António José Seguro:

A promoção da igualdade de oportunidades, designadamente para quem vive em regiões periféricas e ultraperiféricas, continua a ser uma tarefa inacabada e inadiável.”

A cerimónia comemorativa marcou igualmente o encerramento da primeira visita oficial de António José Seguro à Madeira enquanto Presidente da República, iniciada na quinta-feira, reforçando a centralidade estratégica da Região Autónoma no espaço atlântico e europeu.

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