Hoje, 21.04,  o PR do Brasil, Lula da Silva, esteve em Portugal, onde se encontrou tanto com o primeiro-ministro Luís Montenegro como com o seu homólogo português Seguro no Palácio de Belém, seguido de almoço alargado

O chefe de Estado brasileiro, emalteceu as relaçoes entre Portugal e o Brasil que, na sua opinião, atravessam o "melhor momento".

"Agora que Portugal ajudou o Brasil a fazer o acordo União Europeia - Mercosul, agora sim, conseguimos dizer alto e bom som que Portugal pode ser a grande porta da entrada dos interesses empresariais brasileiros aqui em Portugal", disse.

Lula da Silva disse ao primeiro-ministro português que ia conversar com os ministros brasileiros, para que estes conversem com as indústrias, pois "é muito importante que parte das coisas que o Brasil vai negociar com a União Europeia seja construída" em Portugal.

"Aí sim, estaremos a fazer uma parceria séria, que seja um jogo de ganha-ganha", referiu, acrescentando: "Não queremos que Portugal seja apenas a porta de entrada; queremos que Portugal seja a porta da construção de uma parceria robusta entre dois países que se conhecem desde abril de 1500".

Luís Montenegro, afirmou que Portugal defende o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, assinado em 17 de janeiro, depois de mais de 20 anos de negociações, que visa eliminar ou reduzir drasticamente as tarifas alfandegárias entre os dois blocos.

Lula defendeu tambem que "uma coisa importante" na relação entre os dois países é que "historicamente temos mostrado que a harmonia entre os Estados é a forma mais eficaz de construir parcerias produtivas".

Lula da Silva disse que é possível repetir experiências como a Embraer, um fabricante aeroespacial brasileiro que está presente em Portugal, onde produz estruturas metálicas e compósitas para aeronaves.

"A Embraer é a demonstração mais bem-sucedida de uma empresa brasileira que está a ajudar a construir coisas aqui em Portugal, aproveitando mão-de-obra altamente qualificada e que pode crescer", afirmou.

E prosseguiu: "Outras empresas brasileiras podem vir para Portugal e daqui a gente aproveitar um comércio extraordinário, que envolve 750 milhões de pessoas e um PIB de 22 biliões de dólares" (cerca de 18,7 biliões de euros).

Recordando que é um "defensor do multilateralismo e inimigo do unilateralismo e do protecionismo", Lula da Silva lamentou que o acordo entre a UE e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) entre, mas provisoriamente, em vigor a partir de 01 de maio, porque os eurodeputados enviaram-no para o Tribunal de Justiça da UE para verificar a sua conformidade com a legislação comunitária.

Para o chefe de Estado brasileiro, o comércio internacional só resulta quando o cliente não é sufocado: "É preciso que o cliente sobreviva para ser teu cliente. E é isso que nós queremos, que a nossa relação com a União Europeia seja o mais sofisticada possível".

"Não somos favoráveis à segunda guerra fria, não aceitamos guerra fria; não temos preferência comercial entre a China e os Estados Unidos. Queremos ter relação com a China, com os Estados Unidos, com a Rússia, com a França, com todo o mundo, sem preferência. O que queremos é multilateralismo, harmonia e muita paz para poder negociar", afirmou.

Lula da Silva falou ainda da comunidade brasileira agradecendo o "carinho" com que os brasileiros são recebidos em Portugal.

"Nunca como hoje houve uma comunidade brasileira tão expressiva a viver em Portugal e que continua a haver uma comunidade portuguesa muito significativa a viver no Brasil", começou por afirmar.

"Se tem um povo trabalhador é o brasileiro, que gosta de trabalhar e aprende depressa", disse.

Polémicas à parte, Montenegro garantiu que "os brasileiros que procuram Portugal têm vindo para trabalhar e têm tido uma integração impecável", apesar de isso não significar que "não tenha havido um ou outro foco de perturbação".

Poupava-se este senao à cheganice…

Lula da Silva recordou ainda o Mundial de 1966, "quando Portugal tinha um monstro sagrado chamado Eusébio" e o Brasil tinha "vários monstros sagrados", como Pelé.

Ainda assim, lembra, "Portugal conseguiu desclassificar a seleção brasileira daquela Copa do Mundo".

"Eu espero que, em 2026, nos Estados Unidos, Portugal leve em conta o seu discurso de harmonia entre o Brasil e Portugal e que Cristiano Ronaldo e a sua turma não tente derrotar o Vini Jr. e a turma dele porque isso poderá criar um conflito irreversível entre Portugal e Brasil", brincou.

"Podemos fazer isso na final", admitiu Luís Montenegro, também visivelmente bem disposto.

Lula recordou, depois, uma conversa com Pelé, em que este lhe confessou que o mais importante jogador que já vira na vida foi o Eusébio.

"Efetivamente o Eusébio era um monstro sagrado jogando bola", defendeu o presidente brasileiro.