No próximo dia 12 de abril, a Avenida Marginal vai transformar-se num grande palco ao ar livre dedicado ao movimento.
Entre Alcântara e São Pedro do Estoril, Lisboa, Oeiras e Cascais unem-se para encerrar ao trânsito cerca de 15 quilómetros de estrada, entre as 8h30 e as 14h, convidando a população a ocupar o espaço público com caminhadas, corridas, bicicletas, patins e momentos de convívio saudável.
A iniciativa assinala o Dia Mundial da Atividade Física, celebrado anualmente a 12 de abril, uma data criada em 2002 com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), numa resposta direta ao aumento preocupante do sedentarismo à escala global.
Um problema global com impacto real
Segundo a OMS, a inatividade física é um dos principais fatores de risco de mortalidade no mundo, estando associada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns tipos de cancro e perturbações da saúde mental. Dados mais recentes da organização indicam que cerca de 1 em cada 4 adultos não atinge os níveis mínimos recomendados de atividade física semanal.
As recomendações são claras: pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física moderada por semana, ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, para adultos. No entanto, a realidade mostra que uma parte significativa da população permanece abaixo destes valores, sobretudo em contextos urbanos marcados por estilos de vida sedentários.
É precisamente neste enquadramento que surge a decisão conjunta das três autarquias da Área Metropolitana de Lisboa. Ao fechar a Marginal ao trânsito automóvel, o objetivo é simbólico e prático: devolver a estrada às pessoas e reforçar a ideia de que o espaço público pode e deve ser um aliado da saúde.
15 quilómetros para mexer o corpo e libertar a mente
Durante a manhã de sábado, a ligação costeira entre Alcântara e São Pedro do Estoril será palco de múltiplas formas de movimento. Caminhar junto ao Tejo, correr à beira-mar, pedalar em família ou simplesmente passear ao ar livre tornam-se gestos acessíveis e inclusivos.
A dimensão do percurso – mais de 15 quilómetros – permite uma adesão ampla, diluindo multidões e favorecendo diferentes ritmos e idades. Não se trata de uma competição, mas de um convite coletivo à mudança de hábitos.
Estudos científicos têm demonstrado que a prática regular de exercício físico não só reduz o risco de doenças crónicas, como também melhora a qualidade do sono, a função cognitiva e os níveis de bem-estar psicológico. A libertação de endorfinas e a redução do cortisol estão entre os mecanismos biológicos que explicam o impacto positivo do movimento na saúde mental.
Espaço público como estratégia de saúde
A decisão de encerrar temporariamente uma das principais vias costeiras da região metropolitana não é apenas logística; é também política e estratégica. Cidades que promovem mobilidade ativa – como caminhar ou andar de bicicleta – tendem a registar melhores indicadores de saúde pública e maior coesão social.
A Marginal, habitualmente dominada pelo tráfego automóvel, converte-se assim num símbolo de uma visão urbana mais sustentável, onde o bem-estar das pessoas ocupa o centro da agenda.
Ao unir Lisboa, Oeiras e Cascais numa ação coordenada, a iniciativa reforça ainda a importância da cooperação intermunicipal na promoção de estilos de vida saudáveis. Mais do que celebrar uma data, pretende-se criar consciência e, idealmente, inspirar mudanças duradouras.
No dia 12 de abril, a Marginal não será apenas uma estrada fechada. Será um espaço aberto à saúde, ao convívio e à redescoberta do prazer simples de mexer o corpo.
Fontes:
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Organização Mundial da Saúde – Physical Activity Fact Sheets: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/physical-activity
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Organização Mundial da Saúde – Global action plan on physical activity 2018–2030: https://www.who.int/publications/i/item/9789241514187
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Direção-Geral da Saúde (Portugal) – Recomendações sobre atividade física: https://www.dgs.pt
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