Há eventos que se limitam a marcar uma data no calendário. E há encontros que marcam uma época. O Conecte-se 2026 – Fronteiras Fluídas pertence claramente à segunda categoria.

Acolhido pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em Lisboa, este congresso internacional integra a quinta edição do Congresso Global de Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa e propõe algo mais ambicioso do que o habitual intercâmbio de cartões de visita: a construção de um ecossistema de influência real, capaz de redesenhar as regras do jogo económico no espaço lusófono e além dele.

Uma economia que se reconstrói por dentro

O conceito orientador do evento — “Aquisição Sensível ao Género” — sintetiza uma mudança de paradigma que já não pode ser ignorada. Trata-se de integrar critérios de equidade e impacto social nas decisões económicas, reconhecendo que o mercado não é neutro e que as suas regras foram, durante demasiado tempo, escritas por uma só mão.
Rijarda Aristóteles, presidente e fundadora do Clube de Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa, é direta na sua formulação: o valor de uma transação não se mede apenas no preço pago, mas no impacto gerado — nas pessoas, nas comunidades, nos territórios. Uma visão que coloca a economia ao serviço da vida, e não o contrário.
A agenda do congresso acompanha esta ambição. Ao longo de vários dias e espaços, o programa percorre temas que definem as próximas décadas: inteligência artificial e dinâmicas de género, internacionalização no espaço lusófono, empreendedorismo feminino, sustentabilidade, negociação e construção de redes de confiança — um ativo que, na nova economia, vale tanto quanto qualquer capital financeiro.

A voz de África no coração da lusofonia

Entre os momentos de maior peso simbólico e estratégico do programa destaca-se a intervenção de Divaika Kiemba Dina, na sessão “Diálogos Disruptivos”, com o tema “África: negócios muito além do trivial”.
Num evento global sediado em Lisboa, a presença de uma voz africana não é um detalhe de programa — é uma declaração de intenções. O continente africano, frequentemente reduzido a estatísticas de pobreza nos relatórios ocidentais, emerge com crescente força como motor do crescimento económico mundial. O Banco Africano de Desenvolvimento projeta que várias economias africanas estarão entre as de maior crescimento até 2030. Ignorar esta realidade não é apenas um erro de análise — é uma oportunidade desperdiçada.

Mais do que reflexão: um mercado em ação

O Conecte-se 2026 distingue-se de outros congressos por não se fechar num ciclo de painéis e aplausos. O Salão de Negócios — espaço de exposição, compra e venda de produtos e serviços liderados por mulheres — transforma o evento numa experiência económica concreta. Aqui, as ideias não ficam nas apresentações: ganham preço, ganham mercado, ganham futuro.
O programa inclui ainda painéis sobre saúde feminina, violência de género, liderança e investimento, bem como sessões dedicadas à apresentação de casos reais de internacionalização e ao desenvolvimento de parcerias estratégicas. A presença, na cerimónia de encerramento, do embaixador do Brasil em Lisboa reforça a dimensão diplomática do encontro e sublinha o papel crescente da lusofonia como plataforma de cooperação económica global.

Lisboa como metáfora

Não é por acaso que Lisboa acolhe este evento. A cidade é, por história e por vocação, um lugar de confluência — entre o Atlântico e a Europa, entre o passado colonial e um presente em reconstrução, entre o português de Portugal e os muitos portugueses do mundo. Nesse sentido, o Conecte-se 2026 não acontece apenas em Lisboa: acontece através dela.
E a mensagem que daqui parte é clara: num mundo onde as fronteiras económicas se tornam cada vez mais fluidas, a capacidade de criar redes, gerar confiança e integrar diversidade não é um valor acrescentado — é uma vantagem competitiva.
O desenvolvimento sustentável não se constrói sem igualdade. A liderança do futuro não se imagina sem inclusão. E a economia que queremos não se escreve com uma só voz.

Fontes:

Programa oficial do Conecte-se 2026;