Alias haverá a possíbilidade de transferência de mais serviços atualmente localizados na Alemanha.
Esta empresa já emprega cerca de 700 trabalhadores em Portugal, onde está instalada há várias décadas, e em Famalicão tem cerca de 90% da pré-produção global das suas óticas e equipamentos de precisão.
Ao Dinheiro Vivo, Kaufmann sublinha que a decisão não se baseia apenas em custos, ainda que estes sejam bem mais baixos em Portugal do que na Alemanha.
“Se os custos de trabalho em Portugal representam cerca de 38% dos custos na Alemanha, faz sentido reorganizar parte da operação”, afirmou, referindo que “numa empresa global, a eficiência da distribuição do trabalho é determinante”.
O responsável da Leica destacou também “a qualidade técnica e a estabilidade da mão de obra no Norte do país”, onde existem já trabalhadores ligados à empresa há várias gerações, onde trabalharam avós, pais e netos.
Esse fator, diz, tem “sido decisivo para consolidar Portugal como um centro industrial de confiança dentro do grupo”.
A Leica já transferiu para Portugal serviços de atendimento ao cliente ligados ao segmento de óticas desportivas, concentrando no país funções que antes estavam dispersas por outros mercados.
“Vamos crescer em Portugal nos próximos anos. Isso significa mais pessoas empregadas”, reforçou Kaufmann, dizendo que novas transferências internas poderão acontecer de forma gradual, ainda que sem calendarização definida.
A Leica sediada em Vila Nova de Famalicão é frequentemente alvo de queixas laborais. Trabalhadores e o Sindicato SITE Norte têm denunciado a precariedade, discriminação salarial e falta de integração de vínculos efetivos.
O sindicato relata que a empresa utiliza práticas de gestão que promovem a instabilidade, com forte desvalorização salarial em funções qualificadas. Plataformas de emprego como o Indeed mostram que, há um consenso sobre a existência de excesso de trabalho precário e remunerações pouco competitivaDevido a tensões laborais, despedimentos de delegados sindicais e relatos de assédio moral, têm ocorrido concentrações de protesto junto às instalações em Lousado.
A nível consolidado, o Grupo Leica registou um volume de negócios recorde de €596 milhões, o que representa um crescimento de 7,6%
Este dinamismo reflete-se fortemente na unidade portuguesa, responsável por cerca de 90% de toda a pré-produção do grupo e 100% da área de ótica desportiva Leica planeia transferir serviços da Alemanha para a divisão em Portugal.