Baleado na cabeça durante a peça, Lincoln morreu no dia seguinte 15.04, às 7:22, na Petersen House em frente ao teatro tendo sido o primeiro presidente estadunidense a ser assassinado; o seu funeral e enterro marcaram um longo período de luto e crise nacional.

John Wilkes Booth esse  ator de teatro era descendente de uma família teatral de Maryland, e  tornou-se um ator conhecido na década de 1860.

Simpatizante dos Confederados, era veemente nos  seus protestos contra Lincoln e fortemente contrário à abolição da escravidão nos Estados Unidos.

Ocorrendo em cima  do final da Guerra Civil Estadunidense, o assassinato de Lincoln foi parte de uma conspiração planeada por Booth para reimpor a causa confederada, eliminando os três mais importantes membros do governo dos Estados Unidos.

Os conspiradores Lewis Powell e David Herold foram designados para matar o Secretário de Estado William H. Seward, e George Atzerodt o Vice-PresidenteAndrew Johnson mas exceto  a  morte de Lincoln, o  golpe  falhou.

Seward foi apenas ferido, e o suposto atacante de Johnson embebedou-se em vez de matar o vice-presidente.

Depois de uma fuga inicial dramática, Booth foi morto no clímax de uma perseguição de doze dias.

Powell, Herold, Atzerodt e Mary Surratt foram foram posteriormente enforcados dados os  seus papéis na conspiração.

O assassinato de Lincoln levou Karl Marx a descreve-lo como “um homem que não era intimidado pela adversidade nem intoxicado pelo sucesso, que erguia inflexivelmente a bandeira por seus grandes objetivos, nunca se deixava levar pela pressa cega, amadurecia lentamente seus passos e jamais recuava.”

Note-se que Abraham Lincoln, quando era presidente, decidiu responder a um “Endereço” da Associação Internacional dos Trabalhadores sediada em Londres.

Na Marx, parabenizava Lincoln pela sua reeleição para o segundo mandato e proclamava o feito  do que se tornou uma guerra contra a escravatura.

Na carta Marx declarava que a vitória do Norte seria um ponto de viragem para a política do século XIX, uma afirmação do trabalho livre e a derrota dos mais reacionários capitalistas, que dependiam da escravidão e opressão racial.

A Proclamação de Emancipação de janeiro de 1863 cumpriu muito mais facilmente a tarefa do apoio à guerra com os Confederados, mas ainda havia algumas facções da elite britânica que simpatizavam com a Confederação e alguns que eram favoráveis a premiá-la com o reconhecimento diplomático mal a opinião pública pudesse ser levada a aceitar isso.

Com Karl Marx, mais apoios de  alguns proeminentes unionistas britânicos como de  socialistas franceses e social-democratas alemães.

O embaixador escreveu à AIT explicando que o presidente o pediu para lhes responder.

Agradeceu-lhes pelos seus apoios e expressou sua convicção de que a derrota da rebelião confederada seria uma vitória para a causa da humanidade em todo lugar.

O embaixador declarou que os EUA se absteria da “intervenção ilegal”, mas observou que “Os Estados Unidos considerariam suas causas no conflito atual com os insurgentes que mantinham a escravidão como a causa da natureza humana e eles seriam reencorajados a perserverar pelo testemunho dos trabalhadores da Europa.”

Lincoln desejou na verdade agradecer aos trabalhadores britânicos, especialmente àqueles que apoiaram o Norte apesar do sofrimento causado pelo bloqueio do norte da consequente “fome do algodão”.

A aparição dos nomes de alguns revolucionários alemães não o teria surpreendido pois a derrota das revoluções de 1848 na Europa teria aumentado a enchente de imigrantes alemães que chegavam aos  EUA.

Alias em 1843 o próprio Marx pensou em imigrar para o Texas, indo ao ponto de  escrever ao prefeito de Tréveris, sua cidade natal, por uma permissão para imigração.

Que caminho a história teria tomado se Marx tivesse se tornado um texano?

O que sabemos é que Marx manteve contato com vários dos exilados.

Seu ensaio famoso sobre “O 18 de Brumário de Luis Bonaparte” foi publicado em Nova Iorque antes de em alemão.

Na verdade quase duzentos mil alemães-americanos se voluntariaram ao exército da União… mostrando como ao tempo nada tinham a ver com o trumpismo hodierno!

Havia pois uma afinidade entre o nacionalismo democrata alemão de 1848 e a doutrina do trabalho livre do Partido Republicano dos EUA recém estabelecido pelo que  não é surpresa que um número dos camaradas e amigos de Marx  se tornaram fieis apoiantes da causa do norte, com  Joseph Weydemeyer e August Willich, ambos membros fundadores da Liga dos Comunistas, a serem  promovidos à patente de coronel e à de general.

Lincoln teria reconhecido o nome de Karl Marx quando leu a carta da AIT, pois  Marx era um assíduo colaborador do New York Daily Tribune, o jornal republicano mais influente dos anos de 1850. Charles A. Dana, editor do Tribune, conheceu Marx antes em Colônia, em 1848, na época em que ele editava o lido Neue Rheinische Zeitung[Nova Gazeta Renana] e em 1852 Dana convidou Marx a se tornar um correspondente do Tribune.

Na década seguinte ele escreveu – com alguma ajuda de seu amigo Engels – mais de cem artidos para o Tribune.

Centenas desses foram publicados com o nome de Marx, mas oitenta e quatro apareceram como editoriais sem assinatura. Ele por vezes  ocupou duas ou três páginas de um jornal de dezesseis páginas.

Iniciada a Guerra Civil, os jornais dos EUA perderam interesse na cobertura estrangeira a menos que fosse relacionada diretamente à guerra.

Marx escreveu alguns trechos para artigos europeus onde explicava o que estava em jogo no conflito e contestava a reivindicação, amplamente ouvida nas capitais europeias, que a escravidão não tinha nada a ver com o conflito.

Frações importantes das elites britânicas e francesas possuíam laços comerciais fortes com o Sul dos EUA, compravam quantidades enormes de algodão plantados por escravos.

E ate  alguns liberais europeus sem ligação direta com a economia escravagista argumentaram que a secessão dos estados sulistas tinha que ser aceite por causa do princípio da autodeterminação e criticaram a opção do Norte pela guerra.

Aos olhos de Marx, observadores britânicos que afirmavam repudiar a escravatura e ainda assim apoiavam os Confederados eram  simplesmente desonestos. Eles alias atacavam o Norte com uma hostilidade inacreditável e evidente no Economist e no Times(de Londres).

Marx refitou-os  numa série de artigos brilhantes pelo Die Presse, uma publicação vienense que demoliu causticamente seu determinismo economico e, ao invés de rascunhar uma descrição alternativa – sutil, estrutural e política – das origens da guerra.

Marx insistia que a secessão foi incitada pelos temores políticos da elite do Sul.

Eles sabiam o  Sul estava a perder sua mão firme sob as instituições federais por causa do dinamismo do Noroeste, um destino de muitos dos novos imigrantes.

À medida que o território do Noroeste amadureceu e se tornou estados livres, o Sul se viu em menor número e o Norte estava relutante em reconhecer qualquer novo estado esclavagista.

A eleição de Abraham Lincoln foi vista como uma ameaça mortal pelos sulistas porque ele não devia nada aos sulistas e prometeu se opôr a qualquer expansão da escravidão.

Marx deu claro um apoio total à causa da União, embora Lincoln inicialmente tenha se recusado a fazer da emancipação um objetivo da guerra.

Marx estava confiante que o choque dos regimes sociais, calcados em sistemas opostos de trabalho, cedo ou tarde viria à tona como um problema real. Enquanto apoiava consistentemente o Norte, escreveu que a União só triunfaria se adotasse as medidas anti-esclavagistas revolucionárias advogadas por Wendel Phillips ( segundo George Lewis Ruffin, um advogado negro, Phillips era visto por muitos negros como "o único estadunidense branco totalmente daltônico e livre de preconceito racial" e outros abolicionistas radicais.)

Marx estava particularmente impressionado pelos discursos de Phillips em 1862 que clamava  pela derrube de todos os compromissos com a escravatura e até citou aprovando o dito de Phillips de que “Deus colocou o raio da emancipação” nas mãos do Norte e que eles deviam usá-lo.

Marx continuou a trocar cartas com Dana e enviou-.lhe artigos (Dana era fluente em alemão).

A dada Dana deixou o mundo do jornalismo para se tornar os “olhos e ouvidos” de Lincoln como um comissário especial no departamento de guerra, visitando os frontes e relatando à Casa Branca que Ulysses Grant era o homem a se apoiar e Marx defendru  no Die Presse, em março de 1862, que os exércitos da União deveriam abandonar seu cerco estratégico e sua busca por dividir a Confederação em dois.

Segundo Dana o general Grant chegou à mesma conclusão por instinto e experiência e em 1863, Dana se tornou ministro assistente do departamento de guerra.

Marx ficou encantado quando Lincoln – encorajado pela capmanha abolicionista e por uma radicalização da opinião dos nortistas – anunciou sua intenção de emitir a Proclamação da Emancipação em janeiro de 1863. Esta Proclamação dificultou aos governos britânico e francês a o reconhecimento diplomático da  Confederaçãoe  permitiu claro o alistamento de libertos no  exércio da União.

Marx e Lincoln tiveram opiniões bastante divergentes no que tange às corporações e ao trabalho assalariado, mas  compartilharam algo importante - ambos abominavam a exploração e consideravam o trabalho enquanto a fonte suprema de valor.

Na  sua primeira mensagem ao Congresso, em dezembro de 1861, Lincoln criticou o “esforço de colocar capital em pé de igualdade com o, se não acima do, trabalho na estrutura do governo.” Ao contrário, Lincoln  insistiu, “trabalho é anterior e independente do capital. Capital é apenas fruto do trabalho… Trabalho é superior ao capital e merece uma consideração muito mais elevada ” e assim Lincoln defendia  que os trabalhadores assalariados eram livres na América para ascender por seus próprios esforços e poderiam se tornar um profissional ou até mesmo um empregador.

Já Marx mantinha essa imagem da mobilidade social como uma miragem e que apenas uma porção poderia ser bem-sucedida em adquirir independência financeira.

Para Marx, o trabalhador assalariado era apenas parcialmente livre pois tinha  de  vender o seu trabalho para outrém para que ele e sua família pudessem viver.

Mas, desde que ele não fosse um escravo, o trabalhador livre poderia organizar-se e fazer agitação em prol de um dia de trabalho mais curto e por educação livre.

Weydemeyer começara com a criação de uma Federação Americana do Trabalho em 1853, que defendia esses objetivos e que declarou suas fileiras abertas a todos “sem restrição de ocupação, língua, cor ou sexo” temas se tornaram centrais à política dos seguidores de Marx na América.

O assassinato de Abraham Lincoln levou Marx a escrever um nov a carta da AIT ao seu sucessor, com uma homenagem completa ao presidente assassinado.

Nesse texto, Marx descreveu Lincoln como “um homem que nem era intimidado pela adversidade nem entoxicado pelo sucesso, que levantava inflexivelmente a bandeira pelos seus grandes objetivos, nunca se deixava levar pela sua pressa cega, amadurecia lentamente seus passos, jamais recuava com eles… fazia seu trabalho titânico como um governante humilde, singelo e celeste faz  pequenas coisas com a grandiloquência, o esplendor e classe. Tal era de fato a modéstia desse grande e bom homem que o mundo o descobriu como um herói apenas após ele ter caído em martírio.”

Contudo, a perda trágica não poderia evitar que a vitória do Norte abrisse o caminho para uma “nova era de emancipação do trabalho.”

Mas as atividades  de Andrew Johnson, o novo presidente dos EUA , logo atrapalharam Marx e Engels e a 15 de julho de 1865, Engels escreveu a Engels para  atacar Johnson: “Seu ódio aos negros mostraram-se  mais e mais violentamente… se as coisas se seguirem assim, em seis meses todos os velhos inimigos da secessão estarão sentados no Congresso de Washington. Sem sufrágio de cor, nada, não importa o que, pode ser feito ali e os republicanos radicais chegaram à mesma conclusão.

“No pós-guerra imediato, e graças em parte à publicação do endereço da AIT, a Internacional atraiu muito interesse e apoio dos Estados Unidos.“

Marx estava pondo os retoques finais em O Capital: Volume I durante os anos de 1866 e 67 e nesse estágio final incluiu um novo capítulo sobre determinantes do comprimento de um dia de trabalho.

Em alguns dias o Apelo  por um dia de 8 horas de trabalho emergiu como uma exigência chave em alguns estados dos EUA.

Em 1867, a AIT saudou o aparecimento do União Nacional do Trabalho nos EUA, fundada para espalhar a objetivo unificador dos trabalhadores.

Em sua primeira conferência a UNT declarou: “A União Nacional do Trabalho não reconhece nenhum norte, nenhum sul, nenhum leste, nenhum oeste, nem cor nem sexo acerca das questões dos direitos do trabalho.”

Entretanto e no espaço de um ano, oito estados do Norte adotaram o dia de trabalho de oito horas para os funcionários públicos.

As regiões dos Estados Unidos ofereciam entretanto várias possibilidades diferentes de ação política.

Somente  a presença de tropas da União no Sul impediu que  vigilantes brancos, muitos deles veteranos confederados, de aterrorizassem os libertos.

Em Tennenssee, Califórnia do Sul e Luisiana, surgiram  congressistas negros que elaboraram uma “Declaração de Certos e Errados”, insistindo que a liberdade seria uma chacota se não implicasse em acessos iguais aos ônibus, trens e aos hotéis, escolas e universidades.

No Norte e no Oeste, os mais audaciosos dos radicais organizaram organizações da Internacional; por volta do fim dos anos 1860 havia cerca de cinquenta seções e eram filiados cerca de  cinco mil estadunidenses

Em dezembro de 1871 a AIT organizou uma manifestação em Nova Iorque com setenta mil pessoas  em apoio pelas vítimas massacradas na Comuna de Paris.

A multidão mostrava  uma milícia negra chamada de os Guardas Skidmore como muitos sindicalistas com cartazes e Victoria Woodhull e as lideranças feministas da Seção 12 uma banda irlandesa e um contingente que marchava atrás de uma bandeira cubana.

Muitos dos sindicatos fundados nessa época incluíram a palavra “Internacional” nos seus nomes.

Mas, por volta do início dos anos 1870, o apoio do Norte à Reconstrução, com sua ocupação expansionista do Sul e suas afrontas audazes contra o preconceito racial, estava a decair.

Uma onda de escândalos de corrupção esgotou a moral republicana.

O lo programa republicano desfez-se

Aos olhos de Marx, Lincoln teria construído um tipo de “burguesia democrática e republicana” que teria permitido a emergência de um partido trabalhista dedicado à educação livre, impostos progressivos e  um dia de trabalho de oito horas mas essas esperanças foram frustradas.

O assassinato de Lincoln, o caos e a reacionarismo de Johnson na presidência como  o fracasso de Ulysses Grant, seu sucessor, em impor uma liderança moral minaram ou comprometeram a promessa de um governo unido e com autoridade.

Marx não se surpreendeu com a emergência de capitalistas “barões ladrões”, nem com a amarga contenda de classe que eles desencadearam.

O  fracasso do estado federal em impor sua autoridade no Sul e a habilidade dos patrões do Norte em afundar as greves pela implantação de milhares de agentes especiais e homens de Pinkerton travaram o desejado progressismo visionado por Lincoln e por Marx

Durante a Reconstrução (aproximadamente nos anos de 1868 e 1869), os libertos podiam votar, suas crianças podiam ir à escola e havia diversos oficiais negros que foram eleitos.

No Norte havia ganhos pelo movimento de oito horas e os primeiros esforços para regularizar as corporações ferroviárias.

Mas o espírito conservador da república do pré-guerra, com sua aversão aos impostos federais, permaneceu perante a  fraqueza do poder federal.

A Suprema Corte declarou que o imposto de rendimento progressivo, introduzido pela administração Lincoln em 1862, era inconstitucional e sem este imposto o pagar pela guerra foi  muito mais difícil com  a futura redistribuição a se mostrsr impossível.

Outra movimentação reacionária foi a decisão da Suprema Corte em interpretar a promessa de tratamento igualitário de “todas as pessoas” na Décima-Quarta Emenda de 1868 – uma medida criada para proteger os libertos – como um oferecer proteção às novas corporações, desde que elas também gozassem do status de “pessoas”.

O resultado direto dessa decisão foi tornar bem mais difícil que as autoridades locais e federais regularem as corporações (a decisão ainda está em vigor).

A Reconstrução terminou com um acordo entre Republicanos e Democratas que resolveram o impasse do Colégio Eleitoral de 1876 quando confirmaram a autoridade fraturada do estado. Esse acordo permitiu que o candidato com menos votos entrasse na Casa Branca enquanto exigia a retirada de todas as tropas do Sul o que  deu campo aberto aos linchamentos.

Poucos meses depois o próprio Grant lamentou que as tropas federais que haviam combatido a Ku Klux Klan foram enviadas contra ferroviários durante a Grande Greve de 1877, suprimindo-a sob o custo de centenas de vidas.

Trabalhadores americanos resistiram tenazmente, mas numa base regional ou de estado por estado.

Para muitos, sindicalismo fazia  mais sentido do que o partido trabalhista que Marx e Engels advogavam, entretanto a análise penetrante de Marx do capitalismo ainda tinha impacto pessoas tão diversas quanto Samuel Gompers (fundador da FAT), Lucy Parsons (sindicalista, feminista e fundador da IWW) e Eugene Debs (socialista).

A derrota da visão de Lincoln de uma república unificada, democrática e com autoridade foi a derrota dos socialistas também.