Lisboa prepara-se para receber Justiça Cega, o novo espetáculo com encenação e texto de Sara de Castro, que estreia a 27 de janeiro na Sala Mário Viegas do Teatro São Luiz.

Em cena até 7 de fevereiro, a criação propõe uma reflexão profunda sobre a complexidade da justiça, a partir de uma perspetiva feminina e assumidamente feminista.

No centro da obra está o silêncio — não apenas como ausência de palavra, mas como escolha defensiva e, simultaneamente, como imposição estrutural. Justiça Cega interroga a própria encenação da audiência judicial, onde quem se defende é frequentemente forçado a abdicar da sua voz ou, mesmo quando fala, não é verdadeiramente escutado. A pergunta que atravessa o espetáculo é direta e incómoda: quem tem o direito de falar em nome da justiça?

A dramaturgia constrói-se a partir de camadas narrativas que cruzam a tragédia clássica Medeia, o mito de La Llorona e uma ficção contemporânea que convoca a figura de um filicídio. Este mosaico serve de base a um exercício de discussão e imaginação sobre outras formas possíveis de olhar para a justiça — menos cegas às desigualdades, mais atentas às vozes historicamente silenciadas.

O elenco integra Ana Brandão, Ana Ribeiro, Gaya de Medeiros, Teresa Coutinho e Ema de Castro Silva, dando corpo a uma criação coral que reforça a dimensão política e emocional do espetáculo. Para além de Sara de Castro, os textos contam também com contributos de Gaya de Medeiros, Nuno Pinheiro e Teresa Coutinho.

Antes da estreia, Justiça Cega abre os seus ensaios à imprensa em dois momentos-chave. A 15 de janeiro, os trabalhos decorrem na sala de ensaios da Companhia Olga Roriz, com ensaio corrido seguido de entrevistas. Já a 26 de janeiro, no Teatro São Luiz, estão previstos excertos para televisão, ensaio geral com cobertura fotográfica e entrevistas com a equipa artística.

Mais do que um espetáculo, Justiça Cega afirma-se como um espaço de confronto ético e simbólico. Ao convocar mitos ancestrais e realidades contemporâneas, a criação de Sara de Castro lembra que a justiça não é neutra, nem silenciosa por natureza — é construída, encenada e, muitas vezes, disputada.

 

Ficha essencial

  • Espetáculo: Justiça Cega

  • Encenação e texto: Sara de Castro

  • Local: Teatro São Luiz, Sala Mário Viegas (Lisboa)

  • Estreia: 27 de janeiro

  • Em cena até: 7 de fevereiro

Fontes e mais informações: