Inspirado nas vivências de quem sobreviveu ao incêndio de Pedrógão Grande, que em 2017 causou 66 mortos, centenas de feridos e uma destruição sem precedentes, Justa opta por um caminho singular. Não é um documentário nem mostra labaredas. É uma obra de ficção onde histórias se cruzam — uma criança que perdeu a mãe, um homem marcado no corpo, uma mulher que ficou cega após a morte do marido, uma psicóloga que tenta aliviar a dor — para representar o que significa sobreviver quando tudo muda para sempre.
Após a exibição, realiza-se uma conversa com Betty Faria e Teresa Villaverde, moderada pela jornalista Teresa Dias Mendes. A realizadora, que escreveu e produziu o filme, sublinha que Justa é também uma homenagem aos vivos. “Todos os anos lembramos os que morreram. Mas há quem tenha ficado e continue a viver com a perda”, afirmou em entrevista, aquando da estreia.
Durante semanas de pesquisa no terreno, Teresa Villaverde encontrou pessoas ainda em choque, como se acreditassem que pudesse existir um “milagre de desacontecer”. Essa escuta silenciosa marcou profundamente o processo criativo e explica o cuidado extremo com que a obra foi construída. “Era um filme difícil de produzir — pela montagem financeira, pelos locais, e pelo que era — e tinha de ser feito com respeito”, recorda.
A sessão solidária ganha especial relevância num contexto nacional marcado pela passagem das depressões Kristin e Leonardo. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas. Treze pessoas morreram desde a semana passada, registaram-se centenas de feridos e desalojados, e multiplicaram-se os danos em habitações, empresas, infraestruturas e serviços essenciais. O Governo decretou situação de calamidade em vários períodos, abrangendo dezenas de municípios.
Além da venda de bilhetes, foram abertas contas para donativos diretos:
Aldeia de Ceiroquinho – Comissão de Melhoramentos
IBAN: PT50 0010 0000 7017 5700 0018 1
Aldeia de Álvaro – Fábrica da Igreja
IBAN: PT50 0045 4111 4017 8745 7699 1
Depois de Lisboa, Justa continua em exibição noutras cidades: Elvas (Auditório São Mateus), Almeirim (Cine-Teatro), Aveiro (Teatro Aveirense) e Vila Nova de Famalicão (Casa das Artes, a 12 de março). Em cada sessão, o filme reafirma que a memória pode ser um ato de justiça — e que a cultura, quando se liga ao território, também salva.
“Nunca mais serão iguais às outras pessoas — e elas sabem disso.”
Teresa Villaverde
Agência Lusa — notícias e entrevistas sobre Justa e contexto nacional
https://www.lusa.pt
Proteção Civil / Governo de Portugal — comunicados sobre situação de calamidade
https://www.portugal.gov.pt
Cinema Ideal — programação
https://www.cinemaideal.pt