O líder do PS, cuja recandidatura já tinha sido confirmada em janeiro, avança com "humildade democrática para ir ao encontro das pessoas e saber ouvi-las" e "com capacidade de dar respostas aos seus reais problemas", defendendo "um partido progressista, humanista e moderado, casa comum para os democratas".
“Caminhemos juntos ao encontro dos portugueses e certamente voltaremos a ser o grande partido de Portugal”, afirmou, comprometendo-se com uma liderança marcada pela escuta ativa e pela responsabilidade democrática.
Afirmando que quer Ouvir e dar voz às pessoas —, o atual lider do PS alertou para os riscos de um PS fechado sobre si próprio, lembrando que os cidadãos “não perdoarão o PS” se este “ficar a olhar para o umbigo”, quando tem de se concentrar na resolução dos problemas reais da população.
Reconheceu JLCarneiro a fase particularmente desafiante que o partido atravessa, e lembrou que o PS perdeu votos “para a direita em todos os grupos sociais” nas legislativas de maio, apelando a uma “reflexão com sentido de autocrítica rigoroso e sem vedetismos”.
“O que procurarei fazer e vos peço que façam é uma análise profunda daquilo em que falhámos, de quando falhámos, do que devíamos ter feito diferente”, declarou.
No entanto, clarificou que deve desenganar-se “quem confunde essa reflexão com tentações de ajustes de contas internos e com cedência a tentativas de aproveitamentos” por parte dos principais opositores do PS, numa passagem do seu discurso que mereceu aplausos da plateia.
“O PS que defendo e quero reerguer convosco assumirá esse dever, terá essa capacidade e repensar-se-á da base às cúpulas”, garantiu, manifestando-se convicto de que os valores socialistas “continuam a ter vocação maioritária no país”, pelo que “é preciso estar à altura da responsabilidade de os defender e promover”.
No campo da política nacional, o candidato à liderança do PS prometeu que, caso seja eleito Secretário-Geral, o Partido será “determinado e enérgico na oposição” perante o que considerar retrocessos, mas sem ter receio de “promover consensos democráticos”.
Sobre os consensos democráticos para os quais se manifestou disponível, José Luís Carneiro elencou as áreas da política externa e europeia, a defesa, a segurança, a justiça e a organização e reforma do Estado.
Apesar desta abertura ao diálogo, deixou críticas ao executivo da AD chefiado por Luís Montenegro, avisando em particular que “é bom que o Governo tenha em atenção os alertas sobre a situação económica e financeira internacional.
“Sejamos claros: derramar o saldo orçamental, legado pelos governos do PS, sobre os problemas que são estruturais pode comprar momentaneamente a paz social, mas não é a solução de fundo de que o país precisa”, alertou.
E mostrando-se orgulhoso do trabalho realizado pelos governos socialistas liderados por António Costa, José Luís Carneiro deixou claro que “os progressistas não se podem prender na crítica fácil”, devendo apresentar soluções bem fundamentadas para os desafios do país.
Nesse sentido, destacou a apresentação de um “pacto de confiança” para a próxima década, com três metas concretas: alcançar o salário médio europeu em dez anos, garantir habitação condigna a todas as famílias no mesmo prazo e assegurar o autoabastecimento energético de Portugal com recurso a fontes renováveis até 2035.
“Temos de ir ao encontro das pessoas, ouvir onde elas estiverem e fazê-las sentir que são escutadas”, rematou.
Lamentavelmente nada sobre a Venezuela, nada sobre o Mexico, nada sobre a Gronelandia , nada sobre a Guiné Bissau nada sobre as crises democráticas na CPLP